/25,18% é a média de crescimento de entrada de veículos no primeiro trimestre na Região das Hortênsias

25,18% é a média de crescimento de entrada de veículos no primeiro trimestre na Região das Hortênsias

Se analisarmos pelos dados dos pedágios que dão acesso a Gramado pode se dizer que a região vai de vento em poupa. Nos três primeiros meses do ano, entraram 596.887 veículos nas três praças do pedágio. Consideramos que 55% são turistas, o que equivale a dizer que a região recebeu 328.259 veículos calculando em média três pessoas em cada veículo. Apontando que neste período a cidade recebeu 984.777 pessoas. (Foto: Divulgação)

Estes números representam um crescimento médio no mês de 25,18% em relação ao período do ano passado. O mês que mais movimentou foi janeiro de 2017. Sendo que em termos percentuais, o maior crescimento foi em março com 28,62% seguindo de fevereiro com 28% e por fim janeiro com 20,19%, segundo dados da EGR.
Porém, o setor hoteleiro está preocupado com o movimento. O presidente do Sindtur/Serra Gaúcha, Fernando Boscardin aponta que neste período a média da ocupação foi de 45,2%. Atualmente somente Gramado tem 13 mil leitos. Boscardin diz que “além destes números tem os aluguéis de temporada. O SindiTur está fazendo uma ofensiva junto aos mais diversos órgãos para combater esta situação”. Sobre o futuro, Boscardin aponta “neste momento não podemos afirmar nada, tudo depende da situação política que o Brasil vive, pois, a economia está ligada diretamente a esta situação”.
Se 989.731 pessoas no trimestre visitaram Gramado, são 330 mil pessoas/mês, indo mais a fundo, são 11 mil pessoas/dia na cidade, sendo que a cidade oferece 13 mil leitos/dia conforme o SindTur, concluímos que sobra na média, 4,6 mil leitos /dia sem consideramos os aluguéis de temporada. Se levarmos em conta que boa parte dos visitantes fazem o bate volta a situação é estarrecedora.
Além dos novos leitos, o grande debate da cidade são os aluguéis de temporada,. Em pesquisas nos site Booking, AirBnb, OLX, Alugue Temporada, Trivago, e algumas imobiliárias locais, chegamos a 1.021 espaços para locação por temporada, importante frisar ainda, que muitas pessoas deixam seus imóveis em mais de um local para locar, então consideramos que um número de 700 imóveis, digamos, seja locado na média de seis pessoas por acomodação. Isso equivale a dizer que por mês a cidade oferece espaço para 4.200 leitos. Fomos mais longe ainda se a média de diária for de R$ 250,00 x 4.200, leitos, o que equivale a uma renda de R$ 1.050.000,00 por dia, se multiplicarmos por 30 dias, o valor estimado chegaria a 31 milhões e quinhentos mil, sendo que 30% são de taxas e impostos aproximadamente R$ 9.450 milhões não estão sendo recolhidos, isto em um raciocínio de um hoteleiro. Sobre esta questão, Boscadin, diz que “aguardamos ansiosamente que as prefeituras se deem conta que estão sobrecarregando seus contribuintes enquanto outros dão risada dos que procuram pagar tudo corretamente. Os municípios estão abrindo mão de receita se não liderem politicamente para buscar mudanças como os principais destinos turísticos do mundo estão fazendo, assistindo a elisão fiscal embaixo de seus narizes”. Existe controvérsia quanto o número de locação, pois raramente ficam locados 30 dias no mês, tem pessoas que fazem locação por temporada e dizem que às vezes ficam até mais que 8 meses no ano sem fazer nenhum tipo de locação.

Imagem: Divulgação

O número de leitos aprovados no período 2012/2016 pela Prefeitura é de 4.155 leitos. A Prefeitura não tem dados sobre quantos desses leitos aprovados estão em obras ou já foram construídos, pois esse controle não é realizado. Atualmente, existem protocolados na prefeitura mais de 2,3 mil leitos, que passam por uma rigorosa análise da Secretaria de Meio Ambiente e Planejamento. Mas se somados os 13 mil leitos existentes, mais os 2,3 mil aguardando aprovação, podemos dizer que no prazo de dois anos, Gramado terá no mínimo 16 mil leitos para uma cidade de 39 mil habitantes. Para o presidente da Visão Agência de Desenvolvimento, Pedro Andreis, “nós queremos fazer uma pesquisa mais ampla para saber o que está acontecendo. Eu vejo o setor hoteleiro reclamando em relação a ocupação comparando com o ano passado, eu creio que a questão principal é que os turistas querem economizar e estão optando por aluguéis de temporada, o que além de reduzir os custos da hospedagem reduz também o custo das refeições”. Sobre a questão da Gastronomia, Andreis acredita que cresceu na casa de 8% a 10% nos três primeiros meses do ano, são observações baseadas no meu empreendimento e alguns parceiros com quem conversei”. E continua: “sobre o perfil do público que entra na cidade, o que eu senti, que é muito variado, estão investindo menos, e muitos dos turistas são pessoas da região, além disto tem o chamado bate e volta”, finalizou ele. Os representantes do Contur de Gramado se reuniram com a UCS para iniciar um diálogo no sentido de criar o Observatório do Turismo, que trará dados mais eficientes para a cidade. A secretária de Turismo, Rubia Frizzo apontou que “estes dados são importantes até para sabermos como dimensionar o que está acontecendo e saber que tipo de turismo queremos”.

Foto: Divulgação

Eventos

Em relação aos eventos corporativos que aconteceram em Gramado, captados pelo Convention & Visitor Bureau Gramado Canela neste primeiro trimestre,ocorreram a realização de quatro eventos, sendo que destes, dois foram captados e dois foram apoiados. Destes, três eventos foram corporativos e um foi ligado a uma entidade de classe. Ainda para 2017 até o momento, são três eventos a realizar, segundo o executivo do CV&B, Luciano Gonçalves “uma das particularidades dos eventos corporativos é o fato de tomarem uma decisão muito em cima do tempo, com 30 dias de antecedência”. Já para 2018 Gonçalves aponta que “há a previsão da manutenção do número de eventos a realizar. Estimamos que serão realizados em torno de 30 eventos captados por nós, isto em todos os segmentos”. Para alavancar mais este segmento do turismo de negócios, no caso os eventos corporativos, o executivo aponta que “apesar deste segmento movimentar proporcionalmente mais recursos que os demais segmentos, existe a necessidade da região enquadrar-se ao orçamento das empresas. Faz-se necessário ajustes em tarifários e tabelas visando deixar nosso destino competitivo. O empresário deve entender que seu negócio é multifuncional, podendo desempenhar outras atividades correlatas para os eventos, como por exemplo, um restaurante ser utilizado para uma reunião e lançamento de produto, além de fornecer o serviço de alimentação”, citou ele. Para se ter uma ideia em um único evento que o CV&B acompanhou o ticket médio que o turista de negócio deixa no destino, fica na casa de R$ 1.000,00 e R$ 1.500,00.

Foto: Divulgação

Feriadões

Na opinião de Marcos Balsamão, presidente da Associação Brasileira de Agências de Viagens de São Paulo, o aumento previsto de 5% a 6% na movimentação do turismo doméstico em 2017 tem como fator de estímulo, além dos nove feriados prolongados, a qualidade da oferta de pacotes turísticos “com preços e condições comerciais compatíveis ao perfil da demanda, devido às negociações realizadas pelas operadoras turísticas com os fornecedores”, avalia.

O Rio Grande do Sul está fora da lista

Já o site peixe Urbano, a maior plataforma de ofertas locais do Brasil. Com mais de 27 milhões de usuários cadastrados fez uma pesquisa com sua base de usuários e constatou que 79% deles pretendem aproveitar as datas para viajar. Dentre aqueles que responderam que vão botar o pé na estrada ou nas nuvens, os feriados prediletos foram o dia do trabalho, com 57% e em segundo lugar o feriado de Tiradentes, com 45%,. Na sequência a Semana Santa, que apareceu com 39% da preferência. Ainda no primeiro semestre, 8% das pessoas responderam que iriam viajar no feriado de Corpus Christi. Já no segundo semestre os feriados apontados foram a Independência do Brasil, o 7 de setembro, lidera a lista com 14% da preferência, seguido do Dia das Crianças, com 8%. Na pesquisa, o usuário podia marcar mais de um feriado em que tivesse a intenção de viajar.
Sudeste e Nordeste foram as regiões do País mais citadas na pesquisa. O destaque que o site apontou foi o Rio de Janeiro. Búzios é um dos destinos mais procurados por cariocas e visitantes de outros estados. Mangaratiba também é uma ótima opção para quem busca o conforto de resorts.
Em São Paulo, é possível aproveitar as praias em Ubatuba, uma degustação de vinhos em São Roque ou o charme de Campos do Jordão.
Na região Nordeste, o visitante encontra praias paradisíacas em Salvador, Porto Seguro, Fortaleza, Recife e outras cidades.

Imagem: Divulgação

Trilhões

De acordo com a Organização Mundial do Turismo, para 2020 a entidade acredita que 1,5 bilhão de pessoas gastarão cerca de US$ 2 trilhões por ano, ou cerca de US$ 5 bilhões por dia, não incluídos nesse total os investimentos em Equipamentos Turísticos (Hotéis, Resorts, etc.).

Postos de trabalho

Em âmbito mundial, o Turismo chega a responder por 1 posto de trabalho para cada 9 integrantes da População Economicamente Ativa (PEA). No Brasil, esta proporção é de 1 para 11. Portanto, sabendo que o Turismo lidera o ranking mundial na geração de empregos, estimular a atividade (especialmente com o legado da Copa e da Olimpíada, eventos que deram ampla visibilidade midiática ao Brasil) tende a contribuir com a redução do índice de desemprego que assola o país.

Foto: Divulgação

PIB

A economia do turismo chega a representar 54,7% do PIB das Bahamas e 95,3% das Ilhas Virgens Britânicas. Nos EUA, a maior economia do planeta, com o PIB mais de 18 vezes maior que o do Brasil, o turismo representa respeitáveis 10,8%, o equivalente a US$ 1,339 trilhões, exatamente o dobro de todo a economia brasileira.

O setor de turismo é altamente intensivo em trabalho em comparação com o restante da economia, que se caracteriza por ser intensiva em capital. Enquanto a economia brasileira aloca cerca de 58% das suas remunerações para o capital, tal valor é de apenas 13% no setor de turismo.
Por fim, o Turismo contribuiu com a formação da cidadania; uma vez que valorizar atrativos naturais e culturais nativos, que atraem os turistas, geram receitas e empregos. “Além de contribuir com o resgate da autoestima; fator motivacional indispensável ao aumento da produtividade e competitividade”, diz Marcos Balsamão, presidente da Associação Brasileira de Agências de Viagens de São Paulo.

Foto: Divulgação

Matriz econômica

A matriz econômica do Turismo impacta direta e indiretamente outros 52 setores. Entre eles, a construção civil, que é diretamente impactada com a construção e a reforma de hotéis, resorts, pousadas, hostels e até mesmo de imóveis particulares, preferencialmente locados de maneira regulamentada para atender parcela da demanda turística.
Com o PIB brasileiro em 2015, que foi de 3,5% (R$ 182 bilhões), o impacto econômico do crescimento previsto pela Abav deve representar aumento de, no mínimo, R$ 9,1 bilhões a R$ 10,9 bilhões para economia nacional em 2017. Em consulta à área técnica do Ministério do Turismo, a Abav-SP obteve uma estimativa ainda mais favorável. Ou seja, “o número que a área técnica trabalha é de movimentação da ordem de R$ 20 bilhões nos feriados, com exceção do Carnaval, Natal e Réveillon”, informou a Assessoria de Imprensa da pasta comandada por Marx Beltrão.
Diante de tudo isto fica a pergunta: Como anda o turismo no Rio Grande do Sul? Ah! Mais uma: como ficará a região das hortênsias com tantas ofertas e baixa ocupação? E outra: quem iniciará de forma profissional o planejamento estratégico de turismo das cidades da Região das Hortênsias?