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A felicidade é o start

Acredito que o turismo seja um dos campos do agir humano que mais possibilita reações positivas imediatas. Você olha uma paisagem e sua imaginação ultrapassa quase todas as barreiras. É em outras palavras o momento de realizações onde o ser humano seja essencialmente individual, mesmo dividindo os itinerários com alguém. Essa forma de ser e de pensar é o que faz com que a economia seja oxigenada.
A autoestima vibra mesmo em meio à turbulência econômica. Recentemente li um artigo em que os turistas – como segmento – eram essencialmente solitários. Viajam sozinhos e procuram locais onde o trânsito humano e tecnológico é praticamente zero.
Fotos de desertos, montanhas e savanas complementavam os depoimentos. Particularmente eu não empenharia uma jornada assim. Preciso de pessoas ao meu redor, pois são elas que complementam a minha curiosidade cultural. Comparando os depoimentos percebo que as realidades das pessoas são diversas assim como são diversas as realidades, se tomadas com a massa de turistas que circulam pela nossa região.
Por aqui o visitante vê uma vegetação múltipla. A araucária por ser identidade regional está protegida assim como todas as demais árvores nativas. A altura é medida de acordo com seu subsolo pois uma espessa camada basalto, fruto das reviravoltas geológicas milenares serve de colchão.
As flores se recriaram pelo calendário das estações. Entretanto, graças as mão calorosas das colonizadoras o hábito impregnou no DNA. Os recortes em praças e canteiros obedecem ao imaginário de quem os criou. Toda a natureza nos remete ao estado de tranquilidade. Aqui, o turista que chega à noite, acorda com ramalhetes naturais oferecidos na janela de sua habitação. O que chega à luz do dia extasia.
Qual o sentido dessa profusão de elementos, naturais ou enxertados, aos nossos olhos? A resposta está ainda em construção. Porém as inferências são muitas. Reflito muito sobre o princípio da hospitalidade e afirmo que a plenitude do paisagismo seja o bem-vindo dito pelas diversas vozes dos nossos habitantes, distantes do turista.
A prática do turismo, entre outras tantas, tem a função de encantar além de despertar o imaginário. O imaginário abre as portas do encantamento em qualquer lugar e em frente de qualquer imagem. Provavelmente esse encantamento seja uma a responsabilidade das políticas públicas mais respeitadas pelas comunidades da região.
O embelezamento enxertado e a natureza nativa transformam-se em palavras não pronunciadas de sejas bem-vindo. Porém, a grande vitória alcançada foi o respeito do turista. Inegavelmente devemos a cada um deles essa conquista. “Diante das imagens que os poetas nos oferecem, diante das imagens que nós mesmos nunca poderíamos imaginar, essa ingenuidade de maravilhamento é inteiramente natural” nos ensina Gaston Bachelard.
Arrisco a enfrentar a visão poética do Turismo. Num passado o comum era o envio de cartões postais pelo turista. As fotografias e os slides não conseguiram expressar a palavra escrita. As palavras poéticas de certa forma amorteceram. No salto tecnológico vieram as redes sociais, onde se percebe claramente a força poética do que posta. Li em algum lugar que o sonhador escuta os sons da escrita. Quem é o poeta? É o que recebe a imagem ou quem a posta? Penso que são os dois. Logo, se o turismo são expressões sociais, culturais e políticas qual a razão de não ser um impulso a imaginação poética? Nos últimos tempos a união das mãos reproduz o coração. A poesia vem do coração. Acredito que nossa fragilidade está exatamente no campo de entender o que é a linguagem poética enquanto produto turístico. Algumas experiências me permitem afirmar que nossa capacidade poética possui proporções ainda desconhecidas. Vivemos a Era em que o produto consumido basta-se no momento em que o laço foi feito, que a refeição se completa pelo bom atendimento, que as condições da habitação estejam de acordo com o que fora apresentado ou que o transfer in/out fique dentro o horário estabelecido. Dentro desse raciocínio fico a pensar se não deveríamos ampliar a frase sejam bem-vindos para BEM-VINDOS E SEJAM FELIZES. A felicidade é o start para os devaneios poéticos e, como destino de cujos reconhecimentos somos agraciados, é bem provável que nossa participação no processo esteja presente. Com todas as reservas que o leitor possa ter dessa investigação, ainda assim, desejo que sejamos indutores também do turismo Poesia. Obrigado!

 

Texto: Gilnei Casagrande

Foto: Cleiton Thiele/ Divulgação