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A Sbornia vai invadir Gramado

“Desista!”, brinca Ennio Torresan Jr. quando perguntado sobre qual conselho daria a quem está começando a fazer animações. Brincadeiras à parte, ele e Otto Guerra, diretores de “Até Que a Sbórnia nos Separe”, são dois apaixonados pelo que fazem. “É um negócio que pega pelo pé e não larga. Somos vítimas da animação. É algo muito subjetivo, que vem do mundo ao nosso redor”, diz Torresan.

Chegando à serra gaúcha para apresentar este longa que é adaptado do clássico espetáculo gaúcho “Tangos e Tragédias”, os diretores estão confiantes com a quebra de preconceito com animações apresentada pelo 41º Festival de Cinema de Gramado. “É importante que esse filme esteja junto com todos os outros em uma mostra competitiva. Estamos falando de um filme, não de uma categoria. O importante é saber qual o gênero dentro da própria animação”, defende Torresan.

Foram quase oito anos de produção, repletos muito cuidado e paixão – seja pelo processo criativo ou pelas próprias referências. “Sou extremamente apegado à Porto Alegre e ao Rio Grande do Sul. E tem muito de identificação nesse filme. Coloquei todo o meu sangue, me envolvi até a medula, fiz ajustes no roteiro até o último minuto”, conta Guerra. O diretor diz ter realizado um longa universal, mesmo com as raízes gaúchas: “É um filme adulto, cheio de significados, sobre culturas antagônicas e uma tórrida paixão impossível. Além, claro de muita música!”.

Dirigindo “Até Que a Sbórnia nos Separe” ao lado de Guerra, Ennio Torresan Jr. – que trabalha na Dreamworks há dez anos -, revela que esse projeto é especial para a sua carreira. “Foi pura paixão. Quando li o roteiro, não conseguia parar de pensar nele. Algo compulsivo mesmo”, revela o diretor, que procurou não trazer nada do estúdio estadunidense para o longa gaúcho. Inclusive, o processo foi justamente o inverso e o resultado, apaixonante: “Já fiz filmes ruins. São poucos os que faço e que têm um ponto de vista. E ‘Até Que a Sbórnia nos Separe’ tem. É universal, original, completamente diferente de tudo que já fiz”.

A primeira exibição pública de “Até Que a Sbórnia nos Separe” acontece hoje no 41º Festival de Cinema de Gramado. E, para Otto, as expectativas são grandes: “A sessão de estreia é sempre nervosa. Vamos ver… No mínimo teremos uma Sbórnia em Gramado esse ano!”. Para Torresan Jr., a exibição ainda tem valor afetivo: “em 1995, ganhei dois prêmios com meu curta ‘El Macho’. Gramado ajudou a me projetar internacionalmente e devo muito da minha carreira de mais de vinte anos a esse evento”.

Repórter: Matheus Pannebecker

Foto:Divulgação