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Dançar dói como toda paixão

 

Barbara Rey é argentina radicada no Brasil. Foi o amor que puxou a talentosa “hermana” para nosso país. Morando em Santa Catarina, ela esteve em Bento Gonçalves para trabalhar no Bento em Dança por 4 vezes consecutivas. Este ano ela ministrou oficinas de técnica de ponta, fundamental no Ballet  Clássico.  Entre um cafezinho e outro ela nos atendeu no Hotel Dall’Onder.

Não posso dizer que fazer ponta não dói”

Dançar é muito mais duro do que os bailarinos fazem parecer. As sapatilhas de ponta evoluíram muito nos últimos tempos, são novas tecnologias, novos materiais e isto facilita bastante. Hoje nem se compara como era mas assim mesmo não deixa de ser duro. Por sorte, hoje em dia existem muitos acessórios de proteção de materiais como o silicone que ajudam muito as jovens bailarinas.

Uma boa técnica de ponta é fundamental no Ballet Clássico?

Sim é fundamental. Persistência é a palavra chave. Muitas meninas ficam frustradas quando não conseguem dominar as pontas mas tem que continuar tentando, muitas vezes o corpo não está pronto porque precisa desenvolver a musculatura. É importante perceber em que estágio está o corpo. Precisa ter muita paciência.

E a meia ponta?

Sem uma meia ponta bem alta, é complicado passar para a ponta. É necessário ter domínio na meia ponta  para iniciar a técnica de ponta. Qualquer dificuldade que a bailarina já tem na meia ponta, nas pontas se acentua muitíssimo.

Sala de aula

Apesar  que bailarinos e bailarinas podem fazer aula tanto com professor homem como mulher, é de extrema importância que os rapazes tenham aula de técnica masculina com um professor homem, devido às suas especificidades.

E a maternidade para bailarina?

A maternidade para a mulher profissional é sempre difícil, mesmo não sendo bailarina, mas não é impossível. Tem muitas bailarinas profissionais que conseguem conciliar a dança com a maternidade. Para as bailarinas tem um fator complicador a mais que é recuperar e manter o físico.

Tem algum exemplo de Bailarina que conseguiu?

Tem inúmeras! A italiana Alessandra Ferri além de ter duas filhas, parou de dançar aos 44 e agora aos 50 resolveu voltar! De 92 a 2007 foi a primeira bailarina absoluta do Teatro La Scala, em Milão. Dançou no Royal, no ABT, e como convidada nas mais importantes companhias do mundo. E aos 50 anos voltou a receber a luz dos projetores. Isto é raro, mas acontece.

Nos conte como anda nossa vizinha Santa Catarina com a dança…

Santa Catarina tem muitos festivais porém poucas Cias de Danças. A mais reconhecida é o Grupo Cena 11. Tem muitos grupos amadores que trabalham muito bem, mas quando os bailarinos procuram carreira profissional, tem que procurar fora. O foco dos projetos que batalho para desenvolver é na profissionalização de jovens.

Nos cite um exemplo…

O projeto do Jovem Ballet de Santa Catarina funciona como uma incubadora.  Este projeto tem como objetivo atuar no momento de transição  onde os bailarinos das mais diversas idades e interesses começam a procurar a profissionalização. É um projeto permanente mas está parado por falta de patrocínio, o projeto do Minc  está aprovado e quando conseguirmos captar vamos retornar

Tem outros projetos que auxiliem na profissionalização? 

Sim. Nos dias 16 e 17 de novembro acontecerá a Mostra de Exercícios Cênicos onde os grupos participam através de convites ou de seleção. São poucos participantes na casa de 4 ou 5 trabalhos por noite. O ponto alto do evento é a  mesa redonda onde os profissionais mediadores, os grupos  e seus pares trocam informações com o objetivo de melhorar suas composições é um momento de reflexão e troca de saberes. Os grupos não tem custo para participar do evento.

Que gostaria de fazer no futuro?

Gostaria de me dedicar aos meus projetos. Mas preciso lidar com a questão econômica, o que não é fácil , mas é importante  seguir buscando este objetivo.

Conheça mais sobre Barbara Rey

Bailarina, coreógrafa e maître de ballet, atua como coreógrafa e professora convidada em companhias, escolas e festivais de dança.

Ativa produtora cultural em diversas áreas, fundou em 2008 o Instituto Jovem Ballet de Santa Catarina que atua principalmente em processos de fomento à profissionalização em dança.

Na participação pelo desenvolvimento cultural e políticas para dança, é membro do Conselho Internacional de Dança – CID Unesco e já foi Presidente da Associação Profissional de Dança de SC e membro do Conselho Estadual de Cultura SC.

Trabalha como professora há mais de 20 anos e já foi premiada em diversas oportunidades tanto como coreógrafa, como coach e como bailarina.

Por Rozangela Allves

Foto Principal: Acervo Pessoal

Foto Oficina: Solange Avelino