/Entrevista: Pedro Bertolucci

Entrevista: Pedro Bertolucci

Por 18 anos ele foi Prefeito de Gramado. Amado por uns odiado por outros. Mas ele faz o tipo assim “enquanto os cachorros ladram a carruagem passa”. Bertolucci, inovou no sistema de administrar a cidade. Cheio de ideia e empreendedorismo, fez digamos assim 50% do que o município que é hoje, porque desde a emancipação desta cidade e após o voto ser escolhido pelo povo a cidade alternava entre Pedro Bertolucci e Nelson Dinnebier. É aquela história do Rio Grande, Maragatos e Chimangos, é o Inter contra o Grêmio é  esta a dualidade gaúcha que ainda permeia neste estado.  Em um espírito de paz Bertolucci nos concedeu esta entrevista. E me perguntou: “entrevista comigo por quê?”  Sempre é bom saber o que pensa quem já comandou a cidade por tanto tempo. Afinal como o ditado diz , “Quem foi rei nunca perde a majestade”. Com vocês o que pensa Bertolucci neste momento: 

Como andam as palestras que ministra pelo Brasil?

Estou ministrando uma média de 18 palestras por ano. Os únicos estados que não fui, foram Roraima, Acre, Amazonas e Paraná. Em Minas Gerais eu fui dez vezes, este foi o estado que mais me chama desde 2009. O interessante é eles vem a Gramado após a palestra ver a cidade com outros olhos.  Um pessoal de Chapada dos Guimarães esteve aqui após a palestra e depois me convidaram para retornar para mostrar o que estavam fazendo lá. Isto é muito gratificante. Quando é o poder público que contrata eles querem saber muito sobre as novas técnicas de gestão, tem muito prefeito que ainda atua no tempo do império.  Na verdade eles não querem copiar Gramado eles querem ser um case de sucesso dentro do DNA deles.  Nós em Gramado já fizemos isto, quando levamos um grupo de Pousadas para conhecer como funciona o setor na Alemanha, pois as nossas Pousadas são bem familiares  e a segunda ação entre tantas outras, foi levar alguns empresários para conhecer como funcionava o Turismo em Barcelona. Ambas as experiências foram bem positivas, e em 7 dias conhecemos as técnicas desenvolvidas.  Barcelona é um conceito: nem tudo é desenvolvido pelo poder público é um balanço. E perguntado quem manda?  A resposta foi direta e simples, “quem paga”. E desta visita surgiu a Gramatur (hoje gramadotur), lei de 2660/2008 , ela era para estar funcionando desde metade de 2008 quando uma ADIN, impetrada pelo PT trancou o inicio dela, e no dia 22/12/2008 derrubamos a ADIN e não seria em 8 dias que começaríamos a colocar ela para funcionar.  Criamos um conceito e ninguém fica dono de tudo.  O ideal é o balanço entre o poder público e o privado.

Enquanto Prefeito de Gramado fizestes mais ações neste propósito?

Sim. Levando os empresários para feiras e eventos turísticos, a Prefeitura liderava o movimento turístico puxando a frente e nas palestras eu mostro isto e aí cada cidade vai se adaptando ao seu modo. Estas palestras que estou ministrando também atraem um visitante mais qualificado para cidade é um trabalho silencioso, mas muita gente vem para cá com este objetivo. O pessoal de Sete Lagoas (MG), já vieram entre 5 a 6 vezes para Gramado  ver o que está acontecendo de novo. E nós também fomos para outros países ver o que estava acontecendo lá. E óbvio que não copiamos, mas adaptamos muitas das ideias que vimos lá.

Anda distante da administração atual, por quê?

Se está perto é porque está mandando, se está longe é porque está brigado, se aparece muito é porque é candidato e assim …fico na minha. Estou cuidando da minha vida. Foram 18 anos cuidando dos outros, agora chegou a minha vez.

O que pensa da Administração atual?

O Nestor está fazendo um trabalho bom, ele é um bom gestor em obras, talvez falte ser mais empreendedor.

Volta para a Prefeitura ? É candidato?

Não sou candidato, meu foco agora é eleger a senadora Ana Amélia Lemos (foto acima) ao Governo do Estado. 

Ouvi comentários de “rádio corredor” na redação de um grande veículo de comunicação do estado, dizendo que se a Ana Amélia fosse concorrer a governadora, o atual governador Tarso Genro não iria à reeleição e sim ao senado. Tens conhecimento disto?

Não. Mas se ele for inteligente pode optar por isto.

E como vê o atual momento do Estado?

Estamos atrasados. Nem precisa ir muito longe, basta atravessar o Mampituba. O Estado precisa parar de choramingar que tem dívida. Nosso Estado é riquíssimo e os gestores não tomam atitude.  A má gestão é que faz os índices caírem, é por isto que precisamos de uma cara nova, alguém que tenha credibilidade como a Ana Amélia.  

Tem salvação para o Rio Grande?

Sim. Com boa gestão. Hoje a máquina está inchada tem muito CC e aí não sobra nada no caixa. Estamos andando de ré. Enquanto o Governo Federal está privatizando aqui está estatizando!  Eu pergunto onde está o alinhamento das estrelas?

Será que conseguem rolar a dívida?

Deputados Federais e senadores estão trabalhando nisto. Na última reunião para tratar do assunto, o Governador Tarso não estava presente, aí fica difícil. 

Mas este Estado tem solução?

Precisa urgente fazer a modernização da máquina do estado. O estado está emperrado. Aqui se leva 2 anos para instalar uma empresa, ou seja, não é um estado inovador. Ou nós inovamos ou vamos ficar para trás com inveja dos outros estados que estão indo bem, como por exemplo, Santa Catarina que recebeu a instalação da BMW.

Tem conhecimento do projeto feito por várias entidades de Porto Alegre  “O Rio Grande do Sim”?

Todas as eleições é feito este movimento das entidades. Mas, é o candidato que tem que fazer o projeto de seu governo, claro que tem que ouvir as entidades que fale pela população, mas este principio que o Governo tem que acatar um projeto pronto não funciona.  Se o Governante não tiver vontade politica  nada acontece. É o candidato que tem que fazer seu plano de Governo e debater para fazer o que for melhor, mas não acredito em um modelo entregue pronto, porque não adianta, o governador (a) é que é o protagonista e em 4 anos não tem tempo para implantar tudo.   O Governante precisa marcar o território não adianta ganhar as eleições e tirar férias para descansar da campanha.

O que pensa da Moratória dos Hotéis em Gramado?

Não tenho os números reais em mãos para abordar com mais profundidade. Mas eu quando fui Prefeito fiz a moratória. Naquele momento estava tudo trancado por conta das alterações do Plano Diretor e não era a hora de criar a expansão, até porque naquele período, se falava que ia sair o aeroporto e ai a corrida foi grande do setor imobiliário.  A Prefeitura tem que ser a balizadora da moratória não pode ser permanente.  Na minha opinião é que precisa estimular a ida dos hotéis para o interior, sendo que estes teriam um estímulo a mais para ir para lá. Eu pergunto que tipo de ação os hoteleiros tem feito para atrair o seu público? Para que época? Eu não sei. Será que só ficam esperando em cima dos eventos? Se é assim estamos vendendo cachaça no balcão.

(Foto: Cleiton Thiele)

E o que me diz sobre os eventos da cidade?

Os eventos feitos pela tutela da Prefeitura precisam inovar. O modelo do Natal Luz (foto), por exemplo, está certo?  Hoje não. Os eventos tem a função de enriquecer a sociedade e não a Prefeitura. Uma corrente defende que tem que dar lucro e outra que não. Para mim os eventos tem que ser um gerador para a sociedade. Não adianta fazer um evento com economia e a qualidade cair. Nós colocamos o sapato na vitrine e se perdermos a referência vai ser muito difícil reverter.

E o que fazer para reduzir a sazonalidade?

Não existe quase nada de sazonalidade. Qualquer um que conhece o mundo vai ver que não temos a sazonalidade, a nossa curva da sazonalidade é um sucesso. Não tem no Brasil e poucas cidades que tem a curva da sazonalidade como a nossa.  O mês de fevereiro é o mês mais reduzido, os outros tem movimento constante.

Foto publicada na Rede Social Facebook, mostra o público acumulando-se no meio da rua, para assistir ao Grande Desfile de Natal. (Foto: Karen Pinheiro)

Há um debate acalorado pelas redes sociais e em grupos da sociedade sobre que público queremos. Como você vê esta questão?

Em 2008 recebíamos 2,5 milhões de turistas por ano. Em 5 anos dobramos a quantidade de turistas. Segundo a secretária de Turismo, Rosa Helena, hoje recebemos 5 milhões de turistas por ano. É muita gente, e evidente que nesta multiplicação não vem só os turistas que queríamos, vem junto a massa. Precisamos reciclar os eventos, o próprio Natal Luz, eu pergunto: vale a pena ter um milhão de turistas sendo que a maioria não deixa os recursos necessários? É um assunto muito longo que precisa ser debatido. Mas o que disciplina a classe econômica que queremos para o município é dinheiro. Não que não precisamos de vans, precisamos sim, porque aquela pessoa que vende cachorro quente tem que vender, precisa saber onde tem que chegar e como e de que forma.  Vou citar apenas um exemplo: tem cidades  cobra uma taxa paras o ônibus ou Van entrar na cidade, esta taxa  é revertida para melhoria de infraestrutura, como por exemplo telefonia, internet, que passamos uns dias bem precários! Deu uma melhoradinha, mas precisa de muito mais.

É a vez de quem? 

De quem tem condições de ganhar a eleição. Não tenho olhado isto, estou focado na Senadora Ana Amélia Lemos. (Pedro dá um sorriso e eu fico com a sensação que a próxima campanha já está desenhada.)