/Festa Nacional da Uva 2016 apresenta os trajes oficiais da rainha e princesas

Festa Nacional da Uva 2016 apresenta os trajes oficiais da rainha e princesas

A comunidade caxiense conheceu na noite desta sexta-feira, 20 os trajes oficiais da rainha e princesas da Festa Nacional da Uva 2016. A apresentação ocorreu na Praça Dante Alighieri, em um evento emocionante que ganhou ainda mais beleza com o acendimento das luzes do Natal Brilha Caxias. A rainha Rafaelle Galiotto Furlan e as princesas Laura Denardi Fritz e Patrícia Piccoli Zanrosso desfilaram com os trajes em uma passarela montada próximo à decoração de Natal inaugurada na ocasião. A Praça Dante ganhou até aroma de uva para receber o público de centenas de pessoas.

O evento de apresentação dos trajes superou o objetivo da Comissão Social da Festa, que era dividir um dos momentos mais importantes do “pré-festa” com a comunidade. Surgiu daí a ideia de levar o evento para o centro da cidade, aberto ao público. O presidente da Comissão Social da Festa, Roberto Delazzeri, ressaltou que a integração com a programação do Natal Brilha Caxias tornou o evento ainda mais especial. “Reverenciamos neste momento a memória de um povo e de toda uma cultura”, ressaltou o presidente da Festa, Edson Nespolo.

Foto:  Antonio Lorenzett/ Divulgação

Os trajes que Rafaelle, Laura e Patrícia usarão a partir de agora para representar a 31ª edição da Festa, que ocorre de 18 de fevereiro a 06 de março, são assinados pelo estilista Walter Rodrigues, e foram confeccionados pelo Atelier Lola Salles, de Caxias do Sul. Paulista radicado em Caxias há três anos, Walter apaixonou-se rapidamente pela Festa da Uva, na sua opinião uma das celebrações comunitárias mais importantes do Brasil. Ele trabalhou na criação dos trajes desde agosto, ainda quando foi convidado para desenhar os trajes de vindimadoras das então 20 embaixatrizes. “Me senti honrado com o convite da Comissão, e fiquei encantado com a organização da Festa, com a seriedade com que ela é tratada e com a dedicação de todos os envolvidos”, comenta o renomado estilista, premiado no Brasil e no Exterior.

Foto:  Antonio Lorenzett/ Divulgação

Para criar os vestidos, Walter baseou-se em pesquisas das historiadoras Cleodes Piazza Julio Ribeiro e Véra Stedile Zattera, ambas caxienses. “A roupa é uma das mais importantes linguagens, ela comunica, é portadora de grandes possibilidades de significação. As cores, o tecido e suas características, a qualidade da feitura, a ausência ou o luxo dos ornamentos, os detalhes artesanais – rendas, bordados, aplicações – contam histórias de heranças culturais, de fazeres manuais, de saberes, de gostos, de saudade”, argumenta o criador. Para ele, os trajes da rainha e das princesas da Festa são importantes pelo o que simbolizam e por se constituírem em “narrativas” que devem expressar a interlocução entre a história vivida pelos antepassados, que venceram a luta por um novo começo, e a história atual, que está assentada neste legado e tem o compromisso de preservá-lo. “Assim, a rainha e suas duas princesas são as personagens às quais cumpre, por delegação da comunidade, manter vivo esse relato no período da Festa”.

Foto:  Antonio Lorenzett/ Divulgação

Argumento para os trajes, por Walter Rodrigues

“A Festa Nacional da Uva é uma festa que celebra a identidade da comunidade que a realiza. Nesse contexto, o universo feminino, representado pela Rainha e suas Princesas, é homenageado por ser o pilar de sustentação da nova vida no Novo Mundo, enaltecendo as mulheres imigrantes que, com seu trabalho, sua força e coragem, plantaram, educaram e deram a esta terra filhos brasileiros.

Foto:  Antonio Lorenzett/ Divulgação

As sagas das famílias pioneiras recheiam hoje livros, arquivos e são, ainda, relatadas oralmente por seus descendentes como um mantra, para que não sejam esquecidas. Suas casas, seus móveis e objetos, suas hortas e jardins, seus parreirais, seus pomares, suas ferramentas são consideradas signos identitários por seus familiares. Talvez seja por isso que, em muitos jardins de hoje, como nos de outrora, convivam rosas, dálias, frésias, margaridas, jasmins e violetas, numa maravilhosa policromia. Uma celebração à memória dos antepassados? Uma herança cultural? E as parreiras, que produzem a uva com a qual se faz a Festa e, também, o vinho (presente sagrado) bordam as encostas e desenham paisagens, fazendo-as inconfundíveis. Junto a elas, nas bordas, roseiras perfumam o ar e emprestam seu colorido à paisagem. A uva, fruto da terra, foi transformada em símbolo da região por meio da Festa, atuando como elemento veiculador de significados culturais a Festa Nacional da Uva nasce, se consolida e, de alguma forma, ainda permanece como representação simbólica da própria identidade do povo que a celebra.

Foto:  Antonio Lorenzett/ Divulgação

Diante disso, proponho que:

– Os trajes das Princesas representem os singelos jardins típicos da região de colonização italiana, floridos, perfumados e povoados por borboletas e abelhas; que polinizam as videiras depois de suas visitas as roseiras, que são as guardiãs dos parreirais. Constituído de um corpete estruturado e debruado por bordados de miçangas em tafetá de seda pura, uma sobressaia que representada aqui por um planejamento drapeado simbolizando as saias arrebanhadas usadas na hora da colheita. A tradicional camisa branca em cetim de seda, com mangas fluidas recebe incrustações de renda. Uma saia em tafetá de seda pura xadrez em tons claros, lembrando os tecidos tradicionais dos pioneiros – os riscados e xadrezes, é arrematada por uma barra de flores e cachos de uvas, rebordadas com pérolas, cristais, canutilhos, miçangas e paetês. Um avental em macramê completa o traje evidenciando a importância dos fazeres manuais, através de técnicas ancestrais que ainda hoje permanecem vivas aqui na Serra Gaúcha. Detalhes de abelhas e borboletas decoram o cinto.

Foto:  Antonio Lorenzett/ Divulgação

 

– O traje da Rainha representa a plenitude e o esplendor dos parreirais na época da colheita, com a cor da uva e do vinho, enfeitado por cachos de uva, gavinhas e folhagens da parreira, celebram plenos de cor e de aromas a uva que vem a ser uma bênção que se converte em Festa. Estes símbolos indicam a importância da Rainha, de sua majestade e de seu dever de representar e encantar a todos com os frutos da terra, onde através de seus trajes contará sobre esta terra de bravos.

Foto:  Antonio Lorenzett/ Divulgação

Constituído por um corpete em veludo estruturado com uma gola xale, rebordado com cristais, perolas, canutilhos e miçangas. Uma camisa branca em seda pura com mangas recortadas em círculos para dar amplidão e fluidez, com detalhe de renda e rebordada com miçangas e paetês.

Foto:  Antonio Lorenzett/ Divulgação

Uma sobressaia em tafetá de seda pura vinho com aplicações de cristais e perolas representando a colheita das uvas, no qual o desenho e sua conformação são inspirados nos trajes estampados das Rainhas do passado. Uma saia em cetim com tomas em veludo rebordadas com folhas de parreiras e treliças. O avental de macramê foi tecido com fitas aparece branco e imaculado tais como os aventais dos dias de festa. Um cinto em crochê de metal arremata o conjunto enfeitado por pequenos cachos de uva.

Pesquisa bibliográfica e visual:

Figurinos de Vindima – Véra Stedile Zattera – 2011.

Festa da Uva – A Alma de Um Povo – Luiz Carlos Erbes – 2012

Festa & Identidade – Cleodes Maria Piazza Julio Ribeiro – Editora EDUCS – 200