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Garibaldi espumante, história e paisagens deslumbrantes

Foto: Bruno Milan

O outono é para mim uma das melhores estações do ano. Sente-se um calor ameno, e quando os dias estão ensolarados, os raios de sol me parecem mais brilhantes. Foi numa destas manhãs lindas que fui percorrer as estradas do interior de Garibaldi. Sinceramente, a sensação foi de estar na mais italiana região do Brasil. Sensacional é este Brasil de diversas cores e cultura diversificada, onde na maioria dos lugares existe paz. Paz, sim, foi o que eu senti em Garibaldi.

Foto: Kais Ismail

Foi no Mosteiro São José que eu pernoitei, um silêncio absoluto, lugar singelo e harmonioso, o que para mim é sinônimo de luxo. Ao descer para esperar a condução que me levaria para uma manhã prazerosa, abri uma porta imensa e levei um susto; estava dento de uma Igreja pequena e simplesmente linda. Por ali freiras, já na sua terceira idade, cuidavam com carinho e delicadeza de um altar florido e cheio de graça.

A cidade foi colonizada por imigrantes italianos que bradam em alta voz suas tradições ao som de suas tarantelas. Esta pequena cidade também pertence à região da Uva e Vinho (na Serra Gaúcha) e foi emancipada em 1900. Garibaldi é reconhecida como a capital Brasileira do Espumante. Os mais atentos trabalharam e conseguiram deixar alguns prédios, localizados na rua principal da cidade, preservados. Eles foram inventariados e através de campanha de sensibilização com a comunidade, se mantém uma história contada através da arquitetura. Os prédios se tornaram unidades e negócios rentáveis.

Foto: Michele Geremia

Garibaldi hoje possui diversas rotas para que os turistas possam desfrutar de momentos especiais, sendo as rotas mais conhecidas: Rota dos Espumantes, Rota de Compras, Rotas Religiosas Passadas, Arquitetura do Olhar e a Estrada do Sabor, e foi nesta que conheci a Vinícola Pedrucci. Ao chegar lá, percebe-se a simplicidade aliada a uma beleza oferecida pela mãe natureza de forma incomum. Os plátanos fazem o corredor cobrindo a estrada, pleno de folhas amareladas que anunciam em sua queda o fim do período outonal.

Foto: Kais Ismail

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Gilberto Pedrucci é enólogo de mão cheia (ou seria de nariz cheio?). Bom, não sei, o que sei é que o espumante produzido na Pedrucci é uma delícia pura, premiado em vários concursos nacionais e internacionais. A história dele começou quando iniciou seu trabalho na Cave Geisse e posteriormente foi o enólogo da Peterlongo por 24 anos. Em carreira solo na sua Pedrucci, que fica localizado em um pavilhão centenário, construído de pedra de basalto no início do século passado, é perceptível os detalhes artesanais da construção. Devido à sua experiência, já representou o Brasil em diversos países como Itália, França, Alemanha, Espanha e Portugal.

A paixão de Gilberto é de plena transparência, principalmente quando ele fala do seu espumante, desenvolvido através dos métodos de elaboração Tradicional ou Champenoise, por onde as uvas são devidamente selecionadas em diversos “terroirs” do Rio Grande do Sul. Ele já recebeu diversos títulos, entre eles o de Enólogo do ano em 2005. Pedrucci é o único brasileiro a receber a “Medalha de Ordem ao Mérito Agrícola” e o título de “Chevalier” do Ministério da Agricultura Francês (2000). No VI Concurso Internacional de Vinhos Brasileiros, foi o presidente do Júri, que reuniu enólogos renomados de todo o mundo, (vou citar apenas estes, mas a relação de premiações é enorme).

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A história dos vinhos e espumantes é muito recente; no Brasil, tem aproximadamente duas décadas. E o ingresso no mercado internacional é mais recente ainda. E com a criação do projeto Wines of Brazil, realizado em parceria entre o Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin) e a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), o mundo pode perceber a revolução na produção nacional, algo que, segundo o jornalista e sommelier italiano, Roberto Rabachino diz, “a Europa demorou 70 anos para fazer”.

Foto: Kais Ismail

A Vinícola produz seis espumantes: Brut reserve, a tradicional, Moscatel, Brut Rosé, Nature e o Millésime 2010, este com uma produção limitada de mil garrafas ano.

Para encerrar uma manhã prazerosa ao lado da Secretária de Turismo Ivane Fávero e do Fotografo Kais Ismail, fomos a Casa DiPaolo, galeteria tipicamente italiana: galeto, polenta e massa e, claro, o radicci que não pode faltar, tudo super delicioso. Esta rede nasceu em Garibaldi em 1994, e hoje tem nove unidades, com 250 funcionários, com uma previsão de servir 620 mil pratos em 2014, e de faturar R$ 21 milhões este ano. A galeteria já foi premiada pelo Guia Quatro Rodas por 11 anos. O empresário Paulo Geremia é o sócio fundador da Casa e garante que o sucesso está na qualidade do que é servido, oriundo de pesquisas internacionais e no manual de procedimentos seguido a rigor pela equipe.

O que fazer em Garibaldi? Acredite, tem muitas atividades para se fazer e degustar com calma, esta cidade ítalo –brasileira, que tem uma história para contar e para preservar.

Voltarie! Arrivederci! Ciao