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O Enoturista e suas expectativas

O enoturista não viaja para comprar vinhos, isso ele poderia fazer na cidade em que reside ou, não havendo a oferta lá, encomendar por transportadora ou correio. Ele viaja para consumir a cultura do lugar, a paisagem do lugar, onde há a oferta de vinhos, sim, mas não somente isso. Assim, cada região há que reforçar a cultura local. Não podemos vender a “cultura da imigração italiana” na região de Petrolina, por exemplo. Isto cabe à Região Uva e Vinho – Serra Gaúcha, onde houve, de fato, a imigração italiana e isto é um patrimônio cultural. Há que ser autêntica a oferta enoturística, não pode ser fake.

Boa parte deste novo consumidor de turismo, também é o novo consumidor de vinhos. Temos que aliar os dois gostos e saber ofertar para este público. O grande problema é que estamos na “era digital” pensando de forma “analógica” ou até anterior. Ou seja, utilizando ferramentas de divulgação e promoção que já não atingem mais o público desejado. Precisamos, definitivamente, aproveitar de todas as ferramentas que a internet possibilita, com muito profissionalismo. Também temos que entender que em torno de 80% do fluxo de turistas do Rio Grande do Sul é “particular”, ou seja, não viaja com a intermediação de agências. Assim, além de investir na promoção em feiras e eventos, que atinjam as operadoras e agências de turismo, precisamos nos fazer lembrar pelos próprios turistas. Também é fundamental conhecer quais são nossos destinos emissores (potenciais e efetivos) e direcionar nossos esforços a estes, já que os recursos são cada vez mais escassos e as demandas cada vez maiores. Temos que ser mais assertivos.

Para encantar o enoturista, em todos os aspetos, é fundamental o apoio do setor público municipal no desenvolvimento turístico regional. O território onde ocorre o turismo é o município, a partir deste, podemos elaborar inúmeras rotas e roteiros. Mas a oferta, a infraestrutura, precisa ser qualificada e relacionada à identidade local.

Enoturismo é um termo muito novo e recentemente utilizado no Brasil. Por muito tempo não tínhamos um material de promoção turística estadual ou brasileira que citasse o segmento enoturístico. Hoje o Estado do Rio Grande do Sul está investindo no segmento, mas ainda precisa evidenciar mais o setor, criar um material específico, em vários idiomas. Temos que mobilizar a Embratur e o Ministério do Turismo para também trabalharem este segmento na promoção turística nacional e internacional. Já visitei outros destinos enoturísticos da América Latina, como Chile e Argentina, e lá encontrei muitos brasileiros que sequer sabiam de nossa existência, enquanto destinos enoturísticos.

Planejar, agir, trabalhar, integrar, capacitar, promover e monitorar. Estes são verbos fundamentais no desenvolvimento do turismo. Mas tudo precisa fazer parte de um plano maior, construído em conjunto pela região, e de muito trabalho e dedicação.

Texto: Ivane Fávero

 

Bacharel em Turismo pela PUC-RS;

Especialista em Gerenciamento do Desenvolvimento Turístico pela UCS;

Especialista em Gestão Pública Municipal, pela UFRGS;

Mestre em Turismo pela UCS;

Realizou o Curso de Planejamento e Marketing do Turismo, pela George Washington University;

Atua no planejamento e na gestão pública do turismo há mais de 18 e no turismo há 27 anos, tendo sido Secretária de Turismo de Bento Gonçalves e Secretária de Turismo de Garibaldi;

Foi professora de Cursos Superiores de Turismo por 12 anos (UCS e Fisul);

Exerceu o cargo de Gestora de Turismo do Sebrae Serra Gaúcha; Também foi Consultora do Sebrae Brasil e do IMB – Instituto Marca Brasil, com trabalho efetuado para o Ministério do Turismo (Regionalização do Turismo), onde desenvolveu e aplicou metodologia;

Ainda atuou na realização dos Planos Regionais do Turismo do Rio Grande do Sul, nos anos de 2012 e 2013;

Foi membro do Conselho Nacional de Turismo e ainda integra o Conselho Estadual de Turismo;

Foi Presidente da Associação Nacional de Dirigentes e Secretários de Turismo – Anseditur, 2012-2013;

Entre capítulos e artigos publicados no Brasil e exterior é Autora do Livro Políticas do Turismo – Planejamento na Região Uva e Vinho – EDUCS, 2006;

Idealizadora do Congresso Latino Americano de Enoturismo;

Atualmente, é Secretária de Turismo e Cultura de Garibaldi e Vice-Presidente para a América Latina da Associação Internacional de Enoturismo – Aenotur, além de ser consultora na área do turismo.