/O Talian e a preservação da cultura e da memória da região

O Talian e a preservação da cultura e da memória da região

Resgatar a língua trazida nos navios e preservar a memória dos imigrantes para que as novas gerações ainda possam conhecer o talian. Com esse intuito, a professora universitária, jornalista, intérprete e tradutora Giorgia Miazzo esteve em Garibaldi no último dia 20. A oficina apresentada pela italiana contou com recursos audiovisuais e foi ministrada na própria língua talian.

Giorgia é autora de um projeto de reconstrução da memória histórica baseada no patrimônio linguístico cultural da emigração italiana no Brasil e autora da tese “Cantando em talian: Valorização do patrimônio cultural e imaterial linguístico da emigração vêneta para o Brasil por meio da música e da glotodidática lúdica”, apresentada na Universidade de Veneza Cà Foscari. O estudo propõe uma análise histórica sobre a emigração vêneta no Brasil, apresentando a situação socioeconômica anterior à partida, a travessia do oceano e o estabelecimento dos vênetos nas novas terras.

Na conversa, Giorgia emocionou os participantes ao relembrar a situação difícil vivida nos navios que buscavam uma sonhada “Mérica”, sem que os imigrantes soubessem qualquer detalhe do que encontrariam do outro lado do oceano. “Partiam apenas com a mão de Deus”, comentou ela, ao falar sobre a travessia. O que encanta no trabalho da professora é que ela incentiva o aprendizado e a conservação do dialeto por meio de canções e atividades lúdicas. A professora também analisou, durante sua fala, o quanto as relações interpessoais, os laços sociais e humanos que foram criados com as hostilidades e os problemas da vida cotidiana, incorporaram uma nova cultura em terras brasileiras.

A atividade integrou as comemorações de 140 anos de Imigração Italiana na Região.

Sobre a autora

 

Professora de ensino superior e universitário, intérprete e tradutora, jornalista e líder de turismo. Apaixonada pela cultura latino-americana, Giorgia ficou muito tempo na República Dominicana, trabalhando com a Câmara de Comércio, e no Brasil, especializando-se no ensino e pesquisa linguística. Morou em diversas realidades dos países em desenvolvimento nas Américas, como o México, Cuba, Honduras, Venezuela, Peru, Chile, Paraguai e Argentina, e na África, como Angola e Senegal.
Implementou um projeto relativo à reconstrução da memória histórica e cultural emigração Venetian-linguística para as Américas, em que expõe o fenômeno do talian – língua nativa falada na América pelos emigrantes. É coordenadora da seção de Brasil dos Veneti nel Mondo de Camisano Vicentino (Itália).