Para viver mais e melhor

Hoje queremos sugerir uma dica diferente das que estamos acostumados a dar. Hoje a dica é você e os cuidados para consigo mesmo. Em época em que o debate da Previdência Social tem destaque de relevância, nós vamos abordar o outro lado da moeda. Será possível que as pessoas vivam 1.000 anos? Leia com atenção a entrevista da Dra. Mariela e Evelise Silveira que nos concedeu esta entrevista por e-mail e que para nós é de grande valia. (Foto: Dra. Mariela, Dr. Luis Carlos e Dra. Evelise/ Divulgação)

É possível, com os conhecimentos e tecnologia que existem hoje, chegar aos 100 anos ou mais?
Dra. Evelise: Sim. Muitos fatores nos fazem imaginar que as pessoas nascidas hoje poderão chegar aos 100 ou mais anos.

Qual é, de fato, a maior defesa da tese de se poder viver até os 100 anos ou mais e ter qualidade de vida?
Dra. Evelise: Se estimarmos que a cazaque Sakhan Dosova, a pessoa registrada como, supostamente, a mais idosa do mundo, viveu 130 anos, sem ter acesso à atual tecnologia durante todo o período da sua vida, podemos predizer que utilizando os novos conhecimentos chegaremos aos 150 anos, dentro de pouco tempo.
Viver bem e ter vitalidade é ainda mais importante e mais desafiador do que a longevidade. Da mesma forma, podem ser conseguidos se adotado um plano de vida saudável que considere a extensão da vida, desde a infância ou juventude.

Que tipo de tecnologia poderá ser desenvolvida?
Dra. Mariela: Existem áreas de estudo promissoras no que se refere à longevidade. O aprofundamento genético e as terapêuticas de reparo ao DNA e RNA, a nanotecnologia, a modulação hormona segural, a terapia com células tronco, a reposição de nutrientes, a interface digital cérebro e vísceras ou membros biônicos, a manutenção da telomerase (parte do cromossomo que controla a divisão celular e seu tempo de vida) são algumas das possibilidades que poderão ser utilizadas. Claro, todos elas, ainda estão em pleno estudo e necessitam passar por fases diferentes de testagens.

Foto: Dra. Mariela Silveira/ Divulgação

O Kurotel percebeu e, de alguma forma, participou da mudança na expectativa de vida nos últimos 35 anos?

Dra Evelise: Sim. Quando começamos o trabalho, em 1982, a expectativa de vida média do brasileiro era 61,8 anos, segundo o IBGE, Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Atualmente, esse dado subiu para quase 76 anos. Com o passar do tempo, a cada ano, os meses ganhados de vida também têm aumentado. Ou seja, há 20 anos, o aumento era cerca de 2 meses anuais, hoje é cerca de 5 a 6 meses. Isto significa que essa progressão ocorre de forma não linear, mas pode sofrer influência de avanços tecnológicos e de melhora das condições básicas de vida.
Segundo o IBGE, a expectativa de vida do brasileiro, para 2050 é de 82 anos, a mesma que atualmente tem o Japão, o país mais longevo do mundo. Entretanto, é importante lembrar que contribuem para esses dados a taxa de mortalidade infantil (que tem diminuído significativamente nos últimos anos), mas também, as causas de morte por fatores externos (como acidentes de transito e homicídio), que lamentavelmente tem aumentado em nosso país e que puxam a média para baixo. Apesar disso, a esperança de vida individual tem de aumentar de forma muito significativa. No Brasil, já existem 20 milhões e meio de idosos e mais de 24.000 pessoas com mais de 100 anos. No mundo já existem mais de 250.000 centenários e dentro de 20 anos, 1 a cada 4 pessoas será idosa.

O que está impedindo, atualmente, que as pessoas tenham longevidade?
Dra. Evelise: Nos últimos 30 anos, houve uma diferença muito marcante com relação ao padrão das doenças. Segundo o World Health Statistics de 2011, da OMS, houve diminuição significativa das doenças infectocontagiosas e aumento de doenças cardiovasculares e neoplásicas. Este aumento ocorreu mesmo com o crescente e elevadíssimo custo em medicamentos em geral (e especialmente para cânceres e doenças do coração). Isto mostra que a medicalização da medicina não é suficiente para diminuir doenças e aumentar longevidade.
Na realidade, as enfermidades que atualmente estão tirando precocemente a vida das pessoas caracterizam uma epidemia das doenças causadas ou exacerbadas pelo estilo de vida não saudável. Uma pesquisa feita no Kurotel – Centro Médico de Longevidade e SPA, mostrou que 28,6% da sua população tem Síndrome Metabólica, conjunto de fatores causados por má alimentação, estresse e sedentarismo, que combinados aumentam a chances das pessoas morrerem de doenças do coração, por exemplo. Isto poderia ser absolutamente evitado se o modo de viver praticado fosse saudável.

Foto: Divulgação

O que mais interfere na longevidade?
Dra. Evelise: Um dos fatores que tem papel mais importante para a longevidade é o CONTROLE DAS VARIÁVEIS AMBIENTAIS. Por exemplo, um puma livre na natureza vive cerca de 9 a 10 anos. Entretanto, se por algum motivo este animal tiver de ser cuidado em cativeiro, com habitat mais parecido possível ao natural, mas tiver sua nutrição, hidratação e temperatura ambiente manejadas poderá chegar até os 20 anos, explica Dra. Evelise Silveira, médica geriatra diretora do Kurotel e Fundadora do Gramado Zoo. É o caso de animais que foram aprendidos pelo IBAMA, por aprisionamento ilegal e depois ficaram em parques ecológicos. Este exemplo serve para mostrar como o controle das variáveis está relacionado ao prolongamento da vida, também é fundamental para o ser humano e foi o fator mais impactante do homem paleolítico para o homo sapiens. O homem das cavernas, tinha o lobo frontal cerca de 3 vezes menor que o tamanho atual. Essa estrutura é importante para o planejamento do futuro e interferência no meio. Desta forma, com a evolução, tivemos a possibilidade de plantar nosso próprio alimento, posteriormente, refrigerá-lo e agora, temos a disposição de encontrá-lo em todos os locais com extrema variação e prontidão. Essa facilidade de acesso é decisiva para a longevidade. Um indivíduo pode tomar litros de refrigerante e comer muitos hambúrgueres ao dia, tudo isto sem ter precisado caçar ou plantar seu alimento. Por isso, atualmente, estamos vivendo uma epidemia de doenças decorrentes do estilo de vida inadequado. Ao mesmo tempo, o controle das variáveis, pode ser extremamente bem aproveitado. As pessoas poderão chegar no supermercado e escolher a maçã mais compatível com o seu gene (como se fossem números de identidade). Se este mesmo indivíduo optar por ser ativo fisicamente e controlar a ingesta de nutrientes específicos para sua saúde, a resposta será absolutamente outra e a expectativa de vida, absurdamente maior.

Foto: Divulgação

Segundo o Biomédico britânico, Aubrey de Grey, no futuro próximo será possível que as pessoas vivam 1.000 anos. Qual a sua opinião sobre isso?
Dra. Evelise: Neste momento, não temos informações suficientes para dar esta afirmação. Existem pressupostos teóricos, entretanto, isto somente poderá ser confirmado após a experimentação no ser humano, e tal resposta é sempre uma incógnita. Talvez, dentro de 50 anos, isto poderá ser falado, mas não no atual momento.

Foto: Divulgação

O Kurotel é um Centro Médico de Longevidade brasileiro reconhecido internacionalmente. O que se faz no Kurotel para aumentar a vida das pessoas?
Dra. Evelise: Primeiramente uma avaliação médica cautelosa, incluindo check up completo. A atenção especial é dada para os cuidados dos fatores relativos ao estilo de vida que contribuem de forma significativa para a longevidade, cerca de 53%. Isto é feito através da alimentação baseada na individualidade bioquímica, no exercício físico baseado no condicionamento cardiovascular e osteomuscular, no sono reparador, na cessação do tabagismo, na desintoxicação e ajuste medicamentoso e no controle e bom uso das emoções. A genética, que tem uma influência de cerca de 27%, não pode ser mudada, entretanto, pode ser controlada. Através da nutrigenômica e da nutrigenética, temos uma influencia parcial sobre sua expressão. Se um indivíduo tem um gene que predispõe ao câncer, o fato de não fumar e de utilizar os alimentos sadios para tal genótipo, poderão suprimir ou amenizar o aparecimento da doença e manifestar saúde. Além disso, o meio ambiente que circunda o Kurotel é bastante saudável em termos de qualidade do ar e água (e isto contribui cerca de 20%). A assistência médica (que tem um peso de aproximadamente 10%, apenas) é contemplada em todo o momento da estada, além de ser importante fator incentivador para o cuidado do estilo de vida.

Foto: Divulgação

E o que esperar da mente humana com mais de 100 anos?
Dra. Mariela: Se pensarmos essa resposta baseados na nossa atual realidade, muito provavelmente imaginaremos um futuro trágico, cheio de pessoas doentes, incapazes e sem autonomia. Entretanto, conhecer os fatores ligados à longevidade do cérebro e trabalha-los desde cedo, poderão ser aspectos bastante interessantes para traçar um futuro diferente.
Pessoas ativas fisicamente têm declínio cognitivo significativamente menor que sedentários, segundo trabalho publicado no Archives of Internal Medicine. Isto foi avaliado no que diz respeito à atenção, capacidade de dar respostas a estímulos, retenção do aprendizado e memória.
Outro fator que tem papel importante para a qualidade da cognição e das emoções é a meditação. As equipes de Neurociências da UNIFESP e Einstein encontraram que a meditação pode aumentar o volume cerebral e, no laboratório de Neurociências Afetivas da Universidade de Madson, comprovou-se a capacidade de neogênese (formação de novos neurônios) em meditadores de longa data. Em julho de 2011, a UCLA também chegou à conclusão que a meditação poderia aumentar o tamanho cerebral e prevenir a atrofia encefálica que é frequente com o envelhecimento. Além disso, o humor dos meditadores e a satisfação com a vida tendem a serem maiores, quando comparados com não meditadores, segundo os trabalhos de Wisconsin.

Foto: Divulgação

No que diz respeito a doenças neurodegenerativas, como Alzheimer e Parkinson, que são frequentemente encontradas em pessoas de idade avançada, existem medicamentos promissores, como uma classe descoberta na semana passada pela John Hopkins University, que podem reduzir a progressão da doença, ou no futuro, até regredir seu curso.
Como manter o corpo ativo e com força suficiente para uma boa mobilidade após os 100 anos?
Dra. Mariela: O fato de uma pessoa ser ativa fisicamente é mais importante do que a idade para massas corporais. Isto é observado aqui no Kurotel através da avaliação corporal por imagem por DXA. Além disso, a modulação hormonal é uma das ferramentas que podem amenizar os efeitos do acúmulo de massa gordurosa, perda de massas magra e óssea que aconteceriam em um envelhecimento não cuidado.
Além disso, para a pessoa chegar com boa mobilidade aos cem anos, será essencial que desde jovem seu corpo já seja preparado para isto. Algumas maneiras seriam: aumentar o controle das doenças reumáticas (que podem, em alguns casos serem exacerbadas pela alimentação inadequada e pelo sedentarismo), controlar doenças causadas por movimentos repetitivos, fazer alongamentos entre atividades escolares ou laborais, não pegar excesso de peso na infância ou na adolescência entre outras.

Foto: Divulgação

Qual a importância da alimentação para a longevidade?
Dra. Mariela: Muito grande. A restrição calórica é um dos principais fatores já estudados e comprovados que aumentam a expectativa de vida, não apenas nos animais, como também, nos seres humanos. Comer pouca quantidade calórica, pode “poupar” o sistema gastrointestinal, produzir menos radicais livres e consequentemente, menor processo oxidativo. Isto gera menos doenças ligadas à oxidação como neurodegenerativas, cardiovasculares e neoplásicas. Além disso, pessoas submetidas à restrição calórica têm melhor controle da pressão arterial, colesterol, triglicerídeos, glicemia e marcadores inflamatórios.
Somado a isto, está o benefício da nutrigenômica e nutrigenética, que é a utilização de um nutriente para o reparo do DNA. Com um maior conhecimento da genética de cada pessoa, é possível prescrever uma dieta que realmente prolongue a vida.

 

Foto: Divulgação

Quais os alimentos que contribuem para a longevidade?
Dra. Mariela: A nutrição modula genes e protege da oxidação, evitando a formação de radicais livres, dano celular e no DNA, esses causam estresse oxidativo que sabe-se estar associado a mais de 200 doenças.
Frutas e verduras são as maiores fontes de antioxidantes e existem evidências crescentes que a dieta rica em antioxidantes pode proteger contra estresse oxidativo, inflamação doença cardiovascular e mortalidade. Existem mais de 150.000 plantas na Terra. Comemos cerca de 150 destas e a média de consumo diário pelos americanos é de 3 porções. A recomendação do National Cancer Institute é de 5 a 9 porções/dia.

Foto: Divulgação

Dentre as que possuem maior capacidade antioxidante encontram-se:
Ameixa seca (5770), passas (2830), Mirtilos (2234), Amoras silvestres (2036), Couve galega (1770), Morangos (1536), Espinafre cru (1210) e Framboesas (1227).
Consumir de 5 a 10 porções de vegetais/dia, mais alimentos crus, comer alimentos de várias cores em todas as refeições e evitar sal, açúcar, café, álcool são a melhor forma de manter a longevidade.
Além disso: Prevê-se que a atividade física somada ao controle do estresse podem aumentar em cerca de 30 anos a expectativa de vida. Quando esses fatores são somados ao não uso ou ao não abuso do álcool, a vida pode ser prolongada em 40 anos.

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