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Sindicato da Hotelaria diz que situação do setor em Gramado é preocupante

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Fotos: Leonid Streliaev

Dados levantados pelo Sindicato dos Hotéis, Bares, Restaurantes e Similares da Região das Hortênsias mostram um quadro preocupante para o conjunto da cidade de Gramado nos próximos anos, não apenas para hotelaria.

Tudo por causa da super oferta que se desenha em virtude das liberações indiscriminadas na construção de novos hotéis na cidade, que podem colapsar não só a economia, mas também o padrão de vida da cidade nas questões envolvendo mobilidade urbana, meio-ambiente e abastecimento de luz, água e esgoto, já que os investimentos públicos, historicamente, não têm acompanhado os investimentos privados.

A projeção parte da avaliação dos números levantados pelo SHBRS/Hortênsias em 2013 e, a partir daí, de um comparativo traçado entre cidades ou países onde a super oferta hoteleira, ao contrário de incrementar, corroeu a economia por massificar o turismo.

Em 2013, a diária média praticada em Gramado apurada pelo SHBRS/Hortênsias foi de R$ 257,00. A Taxa de Ocupação apurada pelo Sindicato no mesmo ano foi de 55%. Dados da agência Visão, também de Gramado, apontam uma Taxa de Ocupação média anual de 64%. A diferença tem uma explicação plausível. Enquanto os dados do SHBRS/Hortênsias abrangem um número maior de pequenos e médios estabelecimentos, muitos afastados do centro e que não contam com grandes departamentos comerciais, o levantamento da Visão engloba principalmente hotéis de grande porte, com departamentos mais estruturados e maior presença midiática. Portanto, a Taxa de Ocupação utilizada para efeito do cálculo foi ponderada uma média, de 61 %.
Hoje existem em Gramado cerca de 5.200 UHs (apartamentos hoteleiros). No site da prefeitura constam 4.700. Porém, o mesmo está desatualizado!

Atualmente o PIB de Gramado (soma de todas as riquezas produzidas na cidade) gira em torno de R$ 700 milhões, (conforme dados da FEE / IBGE o número foi de R$ 683 milhões em 2011). Pois bem, historicamente, em qualquer ponto do mundo que se busque comparar, o ciclo de super oferta mostra que de cada 5% de queda na Taxa de Ocupação, a diária média cai 10% (conforme dados das super ofertas nos ciclos enfrentados por São Paulo, Irlanda e EUA a conta é exatamente a mesma). 

Valores Atuais

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Na demanda atual, a hotelaria em Gramado vende hoje, em média, 1.157.780 milhão de diárias anuais (5.200 quartos X 365 dias X 0,61 ocupação) e gera uma receita de R$ 298 milhões (quantidade de diárias X diária média) o que representa 43 % do PIB de Gramado, sendo um dos setores mais importantes na geração de impostos e renda na cidade e que por isso merece ser levado mais em conta pela administração ao tomar medidas que influem em setor tão importante.

Valores previstos com mais 3000 novos apartamentos

Ao contrário do que alguns possam imaginar, aumentar, gerando super oferta, o número de leitos na cidade não fará com que Gramado e o setor faturem mais. Ao contrário! Há um viés de queda na estimativa da demanda por estagnação (PIB versus inflação é igual a resultado negativo nos próximos cinco anos), conforme o levantamento. Levando em conta os números de novos estabelecimentos aprovados e em vias de aprovação (3 mil novos leitos), a Taxa de Ocupação média dos leitos na cidade, mantendo-se a média do crescimento anual do turismo (e desde que o país não sofra com inflação e alta de preços, logo estagnação ou recuo no turismo), será de 39% (demanda atual confrontada com a nova capacidade).

Com isso, a estimativa do valor médio das diárias, representará uma queda de 40%, chegando à média anual de R$ 154,00. Este número representará 1.157.780 milhão de diárias vendidas o que gerará uma receita de R$ 178 milhões. Portanto, uma perda de R$ 120 milhões anualmente no PIB da cidade. Ou seja, Gramado estará perdendo cerca de 17% do PIB. O que significa menos impostos recolhidos e menos dinheiro aplicado em saúde, educação, estradas e segurança. Em resumo: menos investimento público. É um verdadeiro tiro no pé! O novo PIB de Gramado poderá recuar para R$ 580 milhões porque a contribuição hoteleira que hoje representa 43% do PIB cairá, conforme as estimativas, para 30,5% do PIB. Por quê? Porque massificação turística significa público com baixo poder de compra, deterioração do destino e queda no tíquete médio, sem falar em enfraquecimento da economia da cidade como um todo, além das dificuldades diárias que a população local experimentará em seu cotidiano com o inchaço que a cidade certamente sofrerá.

Este é o alerta. É isto que queremos? E porque tem que ser assim? São as perguntas à espera de respostas!

Texto: Fernando Boscardin