/4 Perguntas Felipe Andreis

4 Perguntas Felipe Andreis

Felipe Andreis tem 35 anos, é engenheiro químico e atua na terceira geração da Família Andreis à frente do Nonno Mio em Gramado. Ele é também o presidente em exercício da Abrasel Hortênsias que representa a alimentação fora do lar nas cidades de Gramado, Canela, Nova Petrópolis e São Francisco.

1- Um ano de pandemia. Houve estabelecimentos na área da gastronomia que optaram por encerrar as atividades? Se sim, quantos? E qual é a expectativa para este novo momento? Todos permanecem abertos? Ou alguns ficam pelo caminho?

Muitos fecharam, alguns entregaram seus pontos, outros diminuíram de tamanho. Porém a conta não é simplesmente quantos locais fecharam ou estão vagos, e sim, quantas empresas nas mãos das mesmas pessoas. Algumas pessoas que tinham melhor condição financeira no momento da crise, acabaram adquirindo pontos e restaurantes. 

Nem sempre é uma quebra, mas quando se faz a conta de quanto precisa para manter aberto, vale a pena fechar que custa menos. 

Em números, temos 352 restaurantes atualmente, enquanto em 2019 havia 412 restaurantes. Nesse período houve um fechamento de 10 a 12%.

Perifericamente tivemos fechamento de bares e lancherias menores e pode ter a sensação, no centro da cidade, de que não houve fechamentos.

Estamos voltando, mas as contas e financiamentos também estão vencendo. E quem está aberto está com medo, porque se houver outros fechamentos, em qualquer período, pode quebrar muita gente, porque foram usados recursos que estavam guardados e não há mais linhas de créditos liberadas no momento.

Restaurantes Região das Hortênsias – Foto: Divulgação

2- Qual a expectativa do setor para a temporada de inverno?

A expectativa é poder trabalhar, ficar aberto. Maio foi um mês excelente e esperamos que junho seja também, porque o mês começa com um feriadão e logo em seguida o dia dos namorados. O público que está viajando é composto por casais mais novos e isso nos dá uma expectativa excelente. O avanço da vacinação também nos deixa felizes, pois além da vacina da COVID-19 também tem a vacina da gripe.

No ano passado, começamos engatinhando e tivemos que fechar em julho, e neste ano, mesmo que não tenhamos férias escolares é um período de inverno, e isso por si só já é promissor.  

Restaurantes Região das Hortênsias – Foto: Divulgação

3- Os estabelecimentos gastronômicos ainda têm poder econômico para se manter com seus negócios em pé, por quanto tempo? 

Pelo movimento de maio, entendemos que junho e julho serão bons também. Teremos 4/5 meses bons na sequência. E também considerando a possibilidade dos eventos voltarem no segundo semestre e as pessoas quererem viajar. Se a gastronomia pode trabalhar, ficando aberta, todo mundo vai faturar o suficiente para se manter e pagar as contas atrasadas. Hoje o empresário sabe que se fechar um mês novamente, mais de 50% tem certeza que não consegue voltar.  

Restaurantes Região das Hortênsias – Foto: Divulgação


4- Na tua opinião, qual é o melhor modelo de negócio para o setor, para que possa suportar até a situação melhorar?

A minha opinião desde o começo é que precisamos trabalhar. Então a fiscalização é primordial para um modelo mais válido. Hoje o que se vê são descuidos, falta de protocolos, aglomeração em alguns pontos e isso preocupa, porque quando a gente tem essa falta de cuidado e fiscalização, as pessoas vão se permitindo agir com menos cuidado e pode gerar uma nova onda, ainda mais forte de contágio e um fechamento do governo do estado e prefeitura. Se a saúde estiver em perigo nenhum governante vai manter aberto, mas é importante agir preventivamente com fiscalização forte para que não precisássemos fechar novamente.