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4 perguntas para Guilherme Paulus

De espírito empreendedor, Guilherme Paulus é o principal empresário do setor de Turismo no Brasil. Fundador da CVC, uma das maiores operadoras de viagens no mundo, com mais de 1.400 lojas em todo o país, e do Grupo GJP, que controla 10 hotéis próprios no país, o empresário comanda hoje outros negócios no setor como a construção de condomínios de alto padrão, como o Village Iguassu Golf Residence, em Foz do Iguaçu (PR), e hotéis/boutique, a exemplo do Castelo Saint Andrews, em Gramado (RS), único exclusive house do Brasil. Também é membro do Conselho Nacional do Turismo, por indicação da Presidência da República, faz parte do Conselho Consultivo do São Paulo Convention & Visitors Bureau, é vice-presidente de relações institucionais da ABAV Nacional (Associação Brasileira das Agências de Viagens) e presidente do Conselho Deliberativo do Visit Iguassu.

1 – Toda crise tem oportunidade, o que essa crise nos mostra?

Sim, é aquela célebre frase que costumo dizer nas minhas palestras pelo Brasil. Se tirarmos o “S” de “CRISE”, ficamos com a palavra “CRIE”. E criar é fundamental quando passamos por crises como a que estamos vivendo. O cenário turístico foi drasticamente afetado, mas o Turismo tem uma capacidade única de se reerguer. O mercado de viagens é responsável por mais de 8% da economia no Brasil e gera emprego para cerca de 7 milhões de trabalhadores. Nesse momento, as empresas precisam se voltar ao seu bem maior: os seus clientes. Criar produtos segmentados e que levem em conta a segurança e a privacidade neste momento. Principalmente os protocolos de segurança e higienização. De acordo com diversas pesquisas divulgadas recentemente, o item segurança é mais importante do que o próprio destino na escolha da próxima viagem.

2 – É possível recuperar as perdas até então? Caso a resposta seja afirmativa, em quanto tempo você imagina que possa acontecer?

Sim, claro, o setor de turismo já passou por grandes altos e baixos em diversos períodos, seja por fenômenos da natureza, como chuvas e furações que já destruíram destinos inteiros, ou por profundas crises econômicas nacionais e internacionais. Mas a capacidade do segmento em se reinventar é muito grande. A demanda virá e com muita força. O turismo movimenta mais de 50 setores da economia e é um grande gerador de emprego e renda em tempo recorde. Ainda não é possível prever o tempo exato de recuperação, pois o cenário ainda é instável, mas a vacina já é a grande protagonista dessa batalha. É um momento de muita criatividade, 5% de inspiração e 95% de transpiração.

3 – Quais os destinos mais promissores pós-pandemia?

Não vale apostar em destinos promissores, os destinos seguem os mesmos da preferência dos brasileiros, o que pode mudar é a relevância dos destinos nacionais, que ganham ainda mais valor. O turismo nacional se fortalece muito, pois as viagens internacionais demoram um pouco mais para decolar. A alta do dólar também é outro fator impeditivo, mas que favorece diretamente o turismo doméstico e o consumo de resorts e de produtos mais privativos, de viagens de carro próximas das cidades turísticas.

4 – O público que vai viajar será a classe AAA? Ou tem espaço para demais classes sociais?

O mercado para o público de alto poder aquisitivo não foi afetado diretamente, mas foi focado em viagens e produtos segmentados. Desde que reabrimos o Castelo Saint Andrews, nosso exclusive house em Gramado (RS), hoje um dos principais hotéis de alto padrão no Brasil e membro da Relais & Châteaux, tivemos adesão muito positiva, com ocupação total desses apartamentos (dentro da limitação imposta pelos decretos municipais), especialmente nos finais de semana. Mas não foi diferente nos hotéis e resorts. Aqueles que saíram na frente com protocolos de segurança para seus hóspedes, puderam receber com hospitalidade e assinatura de biossegurança do hospital Sírio-Libanês, por exemplo, como foi feito com exclusividade na GJP Hotels & Resorts. Há espaço para todos os meios de hospedagem e a recuperação será a curto prazo, vamos em frente, trabalhar duro e voltar a fazer do turismo a máquina propulsora da nossa economia.

Foto: Divulgação/GJP Hotels