/4 perguntas para José Ernesto Marino Neto

4 perguntas para José Ernesto Marino Neto

Sócio Diretor na StoneCliff Real Estate Investment Management e Diretor do Laje de Pedra.

1- O investimento no novo Laje na casa de R$ 500 milhões é significativo. Quais serão os benefícios para a cidade de Canela, em empregos diretos e indiretos e outros. Quando começa a operação?

O valor do custo do empreendimento foi recentemente reavaliado por conta da alta da construção civil. Recebemos da engenharia a informação que deverá ser, a valores de hoje, R$ 540 milhões. Esse empreendimento deverá gerar cerca de 500 empregos diretos durante a operação, sendo responsável, portanto, por contribuir com famílias canelenses que totalizam cerca de 2.500 pessoas. Se utilizarmos os índices indicados pela OMT – Organização Mundial de Turismo, de que cada emprego direto gera quatro outros indiretos, o impacto é muito maior, elevando o total de empregos para 2.500 empregos diretos e indiretos.

Nós aplicamos para o Projeto Canela do Futuro que permite redução tributária e pleiteamos redução do IPTU durante as obras. O tema está em tramitação regular na Câmara de Vereadores. E com isso apresentamos o quadro de benefícios que o projeto deve trazer à cidade de Canela. Entre eles merece citação: ISS de R$ 2 milhões por ano; folha salarial de R$ 24 milhões anuais (incluindo encargos trabalhistas) e gastos operacionais de R$ 36 milhões com insumos, serviços de terceiros, entre outros.

Reprodução do Projeto Kempinski Laje de Pedra

2- O senhor acredita que a mão de obra disponível na região está preparada para atuar no novo Laje?

O Kempinski Laje de Pedra será o hotel mais sofisticado e elegante do país. Desde o anúncio da parceria com a Kempinski, no último dia 27, eu já recebi mais de 100 currículos de profissionais do país inteiro dizendo que querem fazer parte desse sucesso. Obviamente nós iremos privilegiar a mão de obra local, mas sempre levando em conta o padrão de qualificação exigido pela rede.

Trabalhar em um hotel internacional de luxo, que será o melhor do país e que terá remuneração muito competitiva será uma grande oportunidade, inclusive para abrir as portas para uma carreira internacional. Minha maior preocupação é com os hoteleiros locais, pois eles irão sofrer baixas em suas equipes. Por isso, já iniciamos conversas com o grupo Casa, rede Laghetto e rede Intercity, visando trazer para Canela uma ONG que possa formar mão de obra. Afinal, a cidade de Canela tem hoje quase 20% de sua população desempregada. Não é uma questão de ausência de mão de obra. É ausência de qualificação. 

Quem tiver qualificação e falar inglês tem bons diferenciais para contratação (lembro que pretendemos abrir no final de 2024, ainda há tempo para se qualificar até lá). 

Reprodução do Projeto Kempinski Laje de Pedra

3- O público-alvo do novo Laje será basicamente nacional ou há interesse em captar públicos internacionais? Se positivo, o que será feito para atrair os estrangeiros?

A Kempinski Hotels se interessou pelo nosso projeto por sua diferenciação. Luxo é ser único. O Kempinski Laje de Pedra será único em muitos sentidos e o público vai se surpreender com tudo que será anunciado ao longo dos próximos meses. E como organização internacional de hotelaria de luxo, a preocupação da Kempinski é ter oferta compatível com sua clientela. Se por um lado seus clientes internacionais terão mais um destino exclusivo, por outro, ao inaugurar a operação no Brasil a Kempinski conquistará novos clientes, inclusive brasileiros, para usufruir também de suas unidades nos outros 35 países onde opera.

Reprodução do Projeto Kempinski Laje de Pedra

4- O movimento ESG (environment, social, governance) já é realidade também no Brasil, com empresas voltadas a atuarem de forma responsável e voltada ao desenvolvimento inclusivo. Como o novo Laje se posiciona neste quesito?

Nosso propósito como empresa é satisfazer a quatro tipos de clientes: acionistas, hóspedes, colaboradores e a comunidade.

Nós ainda não abrimos o hotel e não temos hóspedes. Os colaboradores hoje estão no planejamento e execução do projeto. A comunidade precede a todos.

Então nós elaboramos uma série de ações em benefício da comunidade:

  1. Promovemos um leilão com obras de arte do hotel adquirido e arrecadamos cerca de R$ 280 mil que foram doados ao Hospital de Canela;
  2. Colaboramos com o Presídio de Canela quando soubemos que os agentes penitenciários não tinham onde dormir e doamos 12 camas e colchões;
  3. Mobiliamos e decoramos a Casa Vitória quase por completo quando soubemos que o Poder Judiciário estava sedento por esse equipamento para abrigar as mulheres que sofrem violência doméstica. Se somarmos os bens doados para a Casa Vitória chegaremos a uma soma superior a R$ 150 mil;
  4. A Assistência Social da Prefeitura, em Parceria com o Poder Judiciário, está promovendo a Rede Cidadã e estamos colaborando com a doação de camas, colchões, mesa, cadeiras, utensílios de cozinha para 15 famílias;
  5. Com a rede educacional local estamos colaborando com todas as escolas municipais fornecendo pratos, copos e talheres para os professores, já que as merendeiras não contam com número suficiente de utensílios para atender os professores;
  6. Projeto 180: criamos um projeto em parceria com a Polícia Civil, com a Polícia Militar, com os Bombeiros e com o Presídio para selecionar 180 famílias carentes, que vivem abaixo da linha de pobreza, para receberem kits com camas, colchões, mesa, cadeiras e utensílios de cozinha. O objetivo é levar um mínimo de dignidade a pessoas de bem;
  7. Pretendemos utilizar os equipamentos de cozinha industrial do hotel adquirido para, junto com uma ONG, permitir qualificação de mão de obra e mais, permitir profissão a pessoas com pouca esperança de futuro. Ontem mesmo conversei com o Secretário de Obras de Canela e pedi que ele visse se a Prefeitura teria um imóvel no São Lucas (bairro com maior índice de criminalidade de Canela) para sediarmos a ONG. Queremos dar oportunidades de futuro a quem hoje acha que isso não existe;
  8. Há outras ações sociais por vir. Esse é um tema que faz parte do DNA de nosso grupo.

No que diz respeito à sustentabilidade ecológica, o projeto irá consumir menos água (porque haverá tratamento e reuso), parte da energia a ser utilizada no hotel será gerada com placas solares e o mais importante, é tornar a natureza a atriz principal do projeto. O empreendimento será objeto de reforma, mas parte será demolida e novas construções serão adicionadas. A demolição e desaterramento do hotel tem por objetivo permitir que o vale do Quilombo seja avistado de quase todos os pontos do hotel e permitir que a Laje de Pedra seja contemplada em todo o seu esplendor. Além do mais, durante a operação, o turismo de aventura e de natureza irá predominar com roteiros envolvendo vários lugares do Rio Grande do Sul como os cânions, vinhedos, entre outros.

E sobre a operação, sempre um fornecedor local terá preferência sobre outros. É um compromisso nosso de tornarmo-nos canelenses também.