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4 perguntas para Leonid Streliaev

Leonid Streliaev é considerado pela crítica, imprensa e empresariado, um dos fotógrafos mais influentes do Estado do Rio Grande do Sul, sendo um profundo conhecedor do nosso estado, tendo trabalhado nos jornais Zero Hora, O Estado de S. Paulo, Jornal do Brasil e O Globo. Após sua passagem pelos jornais diários, passou a trabalhar por mais de 10 anos na Editora Abril de São Paulo, onde viajou por todo o Brasil produzindo imagens para os roteiros turísticos da Revista Quatro Rodas. Leonid também foi fotógrafo da revista Veja e editor de fotografias da revista Exame, ambas da mesma Editora Abril de São Paulo.

Cobertura da morte do Presidente Argentino Perón (Leonid Streliaev)

Leonid foi contemporâneo e colega de trabalho do mais importante fotógrafo mundial da atualidade, Sebastião Salgado. Ambos trabalharam na extinta revista Realidade, um ícone do jornalismo brasileiro dos anos 70.

Colheita do Trigo em Tapera/RS (Leonid Streliaev)

Especializado em fotografias externas e de ambientes naturais e turísticos, foi responsável pela execução do Banco de Imagens da Secretaria Estadual de Turismo do Rio Grande do Sul. A Embratur e o Ministério do turismo também mantém em seus acervos imagens autorais de Leonid Streliaev, retratando o Rio Grande do Sul com ênfase na cidade de Gramado, por essa ser um ícone turístico gaúcho.

Nessa entrevista exclusiva, 4 perguntas, mas muito a dizer sobre o mundo da fotografia:

1)Muitas pessoas com carreiras já estabelecidas são seduzidas pela fotografia e migram suas carreiras. Como você enxerga essa mudança?

A migração para a fotografia se dá principalmente por causa da atual facilidade em fotografar. Hoje não é mais necessário carregar aquela maleta incômoda cheia de lentes, filtros e cartões de memória. O celular resolve tudo com qualidade e agilidade. Hoje , além de registrar pelo celular, a gente corrige as cores da fotografia e as envia instantaneamente. Não sei onde tudo isto vai parar… Por outro lado , o celular também vulgarizou o ofício da fotografia. Mas digo que vulgarizou no bom sentido. Ocorre também que é muito melhor sair pelo mundo a fotografar, do que ficar sentado numa cadeira de consultório ou escritório. Viva as artes, manifestações maravilhosas do espírito humano!

2) Quais as maiores dificuldades para um fotógrafo em início de carreira?

A maior dificuldade para um fotógrafo em início de carreira, é exatamente iniciar a carreira. A fotografia nunca teve um status de obra de arte; recém este estigma está mudando. A fotografia sempre foi considerada uma sub-profissão. Hoje mudou, tem fotógrafos no Brasil e no mundo que freqüentam as mais calientes rodas sociais, faturam alto e são respeitados no mundo empresarial e político.

3) Com sua experiência, que conselho daria pra quem pensa entrar nesta carreira?

O melhor conselho que posso oferecer a quem pensa em entrar nesta carreira, é que o sujeito defina claramente qual é a sua linha de ação. Hoje não existe mais o fotógrafo generalista, existe o fotógrafo especializado. As fotógrafas que fazem imagens de crianças e grávidas, faturam alto. Os fotógrafos que registram esportes, vendem suas imagens para o mundo inteiro. E assim por diante. Especialização é a regra. Porém, o melhor negócio para quem pensa em entrar nesta carreira, é ter uma parceira chamada Rita.

4) Recentemente você doou 400 livros para os profissionais da saúde de Gramado fale um pouco sobre esta atitude e nos conte-nos um pouco dos seus objetivos na área fotográfica para o futuro.

Recentemente fiz a doação de 400 livros para os profissionais de saúde. Alguns meses atrás também fiz outra grande doação, desta vez de 600 exemplares para todos os alunos da rede pública municipal de ensino de Gramado City. Meu pai , imigrante russo, veio para o Brasil no porão do navio, lá embaixo onde bate o torpedo. Faz parte da minha vida ajudar a quem necessita. Já recebi o Prêmio Responsabilidade Social concedido Pela Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul por causa das minhas ações sociais na área fotográfica. Sou sócio benemérito da SPAAN-Sociedade Portoalegrense de Auxílio aos Necessitados, onde cedi imagens para seu marketing. Já ajudei muitas instituições com imagens sem custo. Os livros que edito são resgate do passado, documentos do presente e guia para o futuro.

Batalha nos Campos de Rosário do Sul (Leonid Streliaev)

Atualmente estou trabalhando num livro chamado O Rio Grande de Erico Veríssimo, onde executo uma releitura do clássico O Tempo e o Vento, que completou 70 anos. A próxima edição será o livro oficial dos 250 anos de Porto Alegre, a serem comemorados em 2022. Minha consagração em Gramado City foi ter recebido a Comenda das Hortênsias, concedida pela Prefeitura Municipal. Veja só: um simples e humilde retratista é Comendador…