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4 perguntas para Marta Rossi

Marta Rossi é graduada em Relações Públicas pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos), iniciou sua carreira na Prefeitura de Gramado, com desenvolvimento de projetos na área educacional, em 1973. Ingressou no segmento do Turismo no início da década de 80, tendo atuado nos principais hotéis de Gramado. Foi nesta época que conheceu Silvia Zorzanello, com quem fundou, em 1988, a Marta Rossi & Silvia Zorzanello – Feiras e Empreendimentos. Trabalharam juntas até o falecimento da sócia, em 2010. Hoje, o filho de Silvia, Eduardo Zorzanello, e o filho de Marta, Marcus Vinícius Rossi, formam a direção da empresa ao lado dela. 

Qual estilo de turismo você acredita que vai ser predominante após a pandemia, fazendo um exercício que para o segundo semestre de 2021 possamos ter mais liberdade de ir e vir?

Muitas são as pesquisas que foram produzidas desde o início da pandemia, com o intuito de analisar o mercado, as tendências, novos movimentos e o perfil destes consumidores, abalados, cheios de dores e cicatrizes, resultantes deste ciclo escuro que vivemos e do isolamento obrigatório. A WTTC – Conselho Mundial de Viagens e Turismo, desenvolveu um estudo com a Oliver Wyman, buscando identificar as principais perspectivas do setor de viagens, onde identifica que os destinos nacionais serão priorizados, assim como destinos de natureza e destinos seguros. Além disso, um relatório publicado pela consultoria McKinsey chama atenção para um novo fenômeno que poderá ser desencadeado, o da “compra por vingança”. Após meses vividos em isolamento, conclui-se que a busca por consumo de experiência, principalmente aqueles com elemento comunitário e de contato social, pode ultrapassar a compra de bens materiais. Perspectivas bastante satisfatórias estão relacionadas a viagens festivas, eventos, gastronomia. Tudo o que possibilte emoções duradouras. Desponta desta forma a retomada do Turismo de Lazer e do Turismo de Eventos, mas nunca esquecendo os ambientes acima mencionados: natureza, segurança e experiência. Ao meu ver é o grande momento para que o Turismo Rural se solidifique como produto.

Quando e como o turismo corporativo retorna?

O Turismo Corporativo não parou 100%, ele aconteceu em outro formato. O mundo on-line entrou definitivamente em cena. Na forma presencial, já tivemos algumas experiências, mas este segmento terá uma recuperação lenta e gradativa, tendo em vista todas as circunstâncias econômicas que envolvem o mesmo e as novas práticas online que minimizam investimentos. No início da pandemia, o Turismo Corporativo chegou a despencar 90% de sua atividade normal, segundo a Abracorp. No último trimestre de 2020 houve uma melhora nos números com o ensaio de uma retomada que tivemos. Mas agora, pela onda crescente de contaminações e a escassez de leitos de UTI para tratar infectados pelo coronavírus, voltamos ao cenário que tínhamos antes. Mesmo assim, acredito que seja uma questão de tempo para as viagens de negócios, feiras e congressos retornarem com mais força. Embora tudo indique que teremos uma mudança de cultura nas empresas e algumas reuniões que antes aconteciam de forma presencial, possam ser agora realizadas de forma online. O mundo mudou e precisamos nos adaptar a ele.

Quais são os ensinamentos que a pandemia está deixando?

A pandemia deixou um lastro de dor e a dor nos ensina a crescer, amadurecer e a valorizar o que temos e a repensar o que somos e o que queremos. Muitos valores emergiram, como a família, a valorização do tempo, a consciência de que somos um único povo e que o planeta Terra é muito pequeno, portanto, precisamos protegê-lo pois é a nossa única casa.

Eventos com foco no trade estarão em alta pós pandemia?

É preciso entender que “trade” no Turismo abrange mais de 40 segmentos envolvidos direta e indiretamente nesta cadeia produtiva. Não falamos aqui apenas do agente de viagens, do operador, do hoteleiro ou do destino. E mesmo que ficássemos somente neste segmentos, os eventos com foco no trade estarão em alta, porque o Turismo é feito por gente, para gente e envolve emoções, sonhos e experiências. Em nossa empresa sempre acreditamos muito na importância dos eventos para a reconstrução do setor e para oferecer o conhecimento necessário para que a retoma ocorra de forma mais rápida e eficaz. Tanto que em novembro passado realizamos o Festuris, que foi a primeira feira de turismo das Américas a ser realizada de forma presencial durante a pandemia. E também no ano passado lançamos um novo evento de conteúdo, o Festuris Connection, que foi um sucesso e teremos a quarta edição no mês de maio. Então, definitivamente acredito que os eventos com foco no trade continuarão em alta. As pessoas querem voltar a se encontrar e precisam de conhecimento para tocar suas vidas e negócios.