/4 Perguntas para Mauro Sales

4 Perguntas para Mauro Sales

Hoteleiro e presidente do SindTur (Sindicato da Hotelaria, Restaurantes, Bares, Parques, Museus e Similares da Região das Hortênsias).

  1. Informações apontam que com muitos já vacinados, o que as pessoas mais querem é viajar. Vocês já percebem isso nas reservas hoteleiras?

A motivação das pessoas para viajar é grande e já estamos percebendo essas reservas. A vacinação está evoluindo bem, embora essa semana tenha reduzido um pouco para a segunda dose. Mas eu acredito que daqui para frente, a tendência é que com mais oferta de vacinas vindo de outras origens também, certamente pode agilizar a vacinação, sendo este um fator essencial e crucial para retomada do turismo. Esta é uma grande força, e com mais pessoas vacinadas vai melhorar a visitação. Eu acredito que daqui para frente a gente não vai ter mais nenhum pico assim exagerado, como aconteceu recentemente. As pessoas vão retomando a confiança de viajar; e o desejo está grande, porque não aguentam mais ficar em casa e parado no seu município. Tem muita gente querendo sair, viajar e aproveitar a vida e essa demanda reprimida, certamente vai ser muito importante para a nossa retomada. Já notou-se que de uns 15 dias pra cá, a procura vem aumentando nos finais de semana, com movimento cada vez melhor. E o frio também chegando, o pessoal começa a procurar a Serra.

Foto: Hotelaria da Região das Hortênsias

2- Qual é a perspectiva, e de que período em diante pode-se considerar que acontecerá uma retomada?

Nós consideramos que acontecerá essa retomada em breve, conforme for o ritmo da vacinação. Se continuar bem e não tiver mais nenhum pico intenso, eu acredito que em junho e julho teremos um movimento bem melhor do que aconteceu no passado.  Aliás, no ano passado o setor hoteleiro ficou praticamente parado neste período, com movimento baixo. Então nesse ano, acredito que a gente já tenha um reflexo bem melhor, com junho e julho bem mais movimentado. Pensamos que será mais regional, turistas do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e região Sul. De outras regiões do Brasil, vai depender também da retomada dos voos. Se as companhias aéreas começarem a perceber que a retomada está se tornando mais consistente, pensamos que virão mais pessoas de outras regiões e outros estados também para cá, especialmente do Sudeste, e isso vai ajudar bastante. A expectativa é de que esta retomada seja pelo meio do ano, pelas características de inverno que a gente já conhece, pela qualidade da nossa região. Oferecemos como destino de inverno no Brasil, certamente a melhor região, com hotéis premiados, ótimos restaurantes, e isso mostra a qualidade da nossa infraestrutura, que creio atrair bastante gente. Até porque os voos internacionais, eu acredito que ainda vão demorar a retornar nos níveis normais, porque existem restrições que barram a entrada de turistas brasileiros em diversos países, fazendo do nosso destino uma alternativa para as pessoas poderem viajar. Estamos trabalhando com uma condição quase que de normalidade do Natal Luz e do Sonho de Natal, podendo já estar a pleno vapor com os espetáculos noturnos.

Foto: Cleiton Thiele – Cidade de Gramado

3- A oferta hoteleira está crescendo? E a demanda? Quais as oportunidades e desafios?

Sim, está crescendo a demanda em relação a oferta e as oportunidades. Certamente a gente sabe que desde 2014/2015 têm vários projetos de hotelaria, inclusive de grande porte na região; isso já tem se consolidado. Vários hotéis grandes e redes, estão chegando na região, e consequentemente, a oferta está crescendo em um ritmo muito forte de lá pra cá. Para se ter uma ideia, em 2019 tinha cerca de 18.000 leitos em Gramado, e neste ano, fizemos um novo levantamento e já está em quase 23.000 leitos, só em Gramado. E se somar com Canela, já passa de 30 mil leitos. Além disso,  tem o aluguel de temporada, que chegou com força aqui na região e está estimulando inclusive a construção civil. Isso também faz com que a oferta acelere ainda mais.

Por outro lado, estamos observando que o país também vem sofrendo com esses problemas econômicos, e mesmo com a entrada de um novo governo, a gente não conseguiu estabilizar a economia e torná-la mais consistente, pois parecia que em 2020 teríamos uma retomada, mas aí veio a pandemia e nos causou esse problema todo. Mas mesmo assim, estamos otimistas com a demanda daqui pra frente, pelo que eu já citei. O pessoal está com muita sede para viajar e eu acredito que no primeiro momento teremos uma recuperação boa. São vários desafios que temos pela frente e um deles é melhorar as estruturas de acesso, seja via rodovias, para que possa estimular o turismo rodoviário, mas também pela chegada do aeroporto, que estamos lutando bastante; seja o aeroporto de Vila Oliva de Caxias  do Sul, ou de Canela – o primeiro que sair será muito bem-vindo, para que possamos oferecer mais conforto para o turismo. Também a infraestrutura nas cidades, para que quando chegar aqui na região o turista tenha mais facilidade de circulação, para evitar congestionamentos, facilitando o turismo de qualidade interno.

Foto: Divulgação Secretaria de Turismo de Canela – Cidade de Canela

4- Qual é o valor estimado do prejuízo do setor, neste primeiro ano de pandemia?

É muito difícil fazer uma estimativa de números sobre as perdas que nós tivemos nesse período, mas todos sabem que o turismo, tanto em Gramado quanto em Canela, é responsável por aproximadamente 85% do PIB das duas cidades. E vivemos momentos críticos, como esse último mês que passou, com o turismo praticamente fechado. Foram vários momentos com baixa demanda e baixa frequência de turistas na região, então o prejuízo é grande paras as duas cidades, tanto para as empresas de turismo quanto para a iniciativa pública. Essa situação prejudica a região como um todo, as políticas públicas e investimentos ficam comprometidos, mas esperamos que a partir de agora, não tendo mais essas ondas fortes de contaminação, e com a vacinação avançando, isso vire uma história, e que nós possamos daqui para frente só pensar em retomada e trabalhar para a recuperação da economia.