/4 perguntas para Rodrigo Cadorin

4 perguntas para Rodrigo Cadorin

Rodrigo Cadorin é sócio-diretor da D’arte Multiarte e cantor/tenor desde 1990, atuou em produções de ópera e musicais na América Latina e Europa, e assina a criação e direção artística de todos os espetáculos da D’arte. Foi diretor artístico do Natal Luz de Gramado por dez anos e do Sonho de Natal de Canela por 5 anos. Assinou também a direção artística, criação e de produção de eventos como Festival de Cinema de Gramado, Gramado Cinevídeo, Festa da Colônia de Gramado, 75 anos da Nescafé, entre outros.

Foto destaque: Rodrigo Cadorin, diretor da D’arte Multiarte – Foto de Cleiton Thiele

1- Há quanto tempo existe a D’arte Multiarte, e qual é o principal foco da empresa?

A D’arte Multiarte existe há 14 anos. Somos uma empresa especializada em experiências criativas e temos alguns focos principais de atuação: a criação, produção e execução de espetáculos, cenografias e humanização de cenários e o que gosto de chamar de Entretenimento 4.0, que é nossa atuação para o mundo corporativo, empresas de entretenimento, parques temáticos e prefeituras, no desenvolvimento de experiências criativas em 360 graus.

Também mantemos nosso Espaço Multicultural em Canela, onde são realizados nossos ensaios e treinamento e ministradas aulas de diferentes modalidades artísticas, além do nosso projeto social Academia de Arte e Cultura, que sustenta cerca de 150 crianças em disciplinas que são envolvidas com a arte, capacitando para o mercado de entretenimento da Serra Gaúcha.

Espetáculo Natal Branco – Foto de Sergio Azevedo

2- Vocês estão realizando shows em outras cidades? Me conte um pouco desta experiência.

Desde 2016 intensificamos nossa atuação, não apenas em outras cidades mas em outros estados brasileiros, e alcançamos mercados além do Rio Grande do Sul. No ano de 2019 por exemplo, terminamos o ano com mais de 450 apresentações artísticas em oito estados, 21 cidades e cerca de 15 shoppings centers, envolvendo um elenco de cerca 500 pessoas e mais ou menos 250 técnicos. Além dos nossos espetáculos que já conquistaram um reconhecimento nacional com turnês pelo Brasil, como é o caso do Korvatunturi, também temos levado nossa expertise em humanizações, cenografias criadas e desenvolvidas no nosso Centro Cenotécnico e nossa atuação no Entretenimento 4.0 para muitos cantos por aí. Atualmente, temos uma equipe comercial e a sede da empresa em São Paulo como ponto polarizador geográfico para outros estados, além da nossa sede em Canela, em Portugal e no Uruguai.

Equipe da D’arte em montagem no Mineirinho – Foto de Sergio Azevedo

3– Vocês estão atuando no Entretenimento 4.0, voltado para empresas?

Sim, um dos principais focos atualmente dentro da D’arte é o Entretenimento 4.0, onde criamos soluções que sejam diferenciadas, envolventes, exclusivas, emocionantes e criativas para parques temáticos, empresas de entretenimento e turismo ou prefeituras. Dirigimos a entrega e a execução dessas experiências criativas, em 360 graus do projeto. Isso leva em conta desde a criação de storytelling, treinamento de equipes através de cursos e workshops com técnicas artísticas, consultoria e desenvolvimento de marcas, criação de novos produtos artísticos e de entretenimento, análise e diagnóstico de processos, entre tantas outras possibilidades. Aliar a arte e o entretenimento aos negócios é hoje uma tendência que tem tomado conta da estratégia de marketing e gestão das empresas. Com nossa experiência e diversidade de profissionais, conseguimos atender esse perfil de cliente com grande diferencial no mercado, já que poucas ou nenhuma empresa possui a estrutura de atendimento que temos hoje.

4- Como foi o trabalho de vocês durante esta pandemia? E como está sendo o retorno? E como as pessoas estão percebendo a cultura neste período de pandemia? Estão mais sensíveis?

Todo o nosso setor sofreu com a paralisação de eventos e apresentações culturais. Desde o início da pandemia, conseguimos aprimorar processos internos e focar no desenvolvimento de novos produtos como a criação do dinner show “Capitão Cara de Mau – O Segredo Entre a Terra e o Mar” para a pizzaria Cara de Mau. Entendo que os momentos desafiadores são cruciais para a criação tanto de soluções quanto de novos posicionamentos comerciais. Estamos saindo de uma era de excesso para entrar em uma era de essência. O desafio criativo é encontrar essa essência. É um claro momento de ruptura, todo processo disruptivo tem um grau variável de trauma e de dor. Eu entendo que esse trauma e essa dor também sejam ingredientes que compõem o processo criativo. Já sentimos uma retomada no setor com o aumento das demandas que chegam na empresa. Acredito muito que é possível uma retomada responsável das atividades do setor com a chegada da vacina para todos e a implementação de protocolos seguros para público e staff. As pessoas estão precisando consumir arte e entretenimento.

Capitão Cara de Mau – O Segredo Entre a Terra e o Mar –
Foto de Sergio Azevedo

Acredito que as pessoas estão buscando cada vez mais sua essência, e a arte e a cultura têm um papel fundamental nisso. É a partir da música, do teatro, do cinema, dos espetáculos, da dança, do circo… enfim, da arte, que o ser humano transcende. Não sei se as pessoas estão mais sensíveis, mas certamente estão mais carentes de arte e cabe a nós, artistas, lutarmos para entregar isso pra elas.