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Dica Rô Allves

Eu imagino que o que as pessoas mais querem na vida quando passar a pandemia é viajar e viajar, conjugar o “verbo” turistar nos mais diversos idiomas.

No último final de semana, do dia do trabalhador, quando o estado do Rio Grande do Sul, estava com a bandeira vermelha, milhares de pessoas saíram em busca de momentos de lazer e conexão com outros lugares e pessoas.  Falando com várias pessoas do setor do turismo, eles me relataram que perceberam que visitantes da Região das Hortênsias e da Região Vale dos Vinhedos, eram turistas que vieram das redondezas, em um raio na casa de 120km a 200km da cidade onde vivem. Ou seja, os turistas estão do lado.

Eu também fui dar uma volta pelo Vale dos Vinhedos e confesso tinham muitos turistas. Evitei o contato, afinal ainda estamos em plena pandemia. Já foi bem suficiente matar a saudade do Vale dos Vinhedos, mesmo que bem a distância das pessoas. E deixo a minha dica do Vale, que está sensacional.

Dias de outono me encantam muito e o local está muito bonito e super concorrido.

O vale é um patrimônio Histórico e Cultural do Rio Grande do Sul, coberto de parreiras com suas paisagens apaixonantes além de uma hospitalidade especial. A tradição mantida através do sotaque dos imigrantes italianos fazem toda a diferença.

O enoturismo está em alta e por lá existem inúmeras vinícolas, naquele espaço que é um terroir único, pois é a primeira região do Brasil a obter o reconhecimento de Indicação Geográfica. Sendo assim, o Vale dos Vinhedos apresenta características únicas de solo, clima e tipografia que somados a cultura local, tipicamente italiana, se torna uma região ímpar no mundo. Veja bem ,no mundo! Não só no Brasil. Isto aconteceu em 2002, já a partir de 2012 veio a Denominação de Origem (DO). Para ostentar esta classificação, os produtores devem obedecer as regras específicas em relação produção da uva e a elaboração dos vinhos.

Foto: Divulgação

São dezenas de vinícolas que você pode e deve visitar.  
Seis sugestões imperdíveis:

Almaúnica:

Fundada em 2008, a Vinícola Almaúnica tem em seu DNA uma paixão secular pelos vinhos. Foi criada pelos irmãos gêmeos Magda e Márcio Brandelli na cidade de Bento Gonçalves. Filhos de Laurindo Brandelli e Doracy Brandelli, os irmãos montaram uma empresa que alia tradição familiar na cultura do vinho com propostas inovadoras, embasadas no desejo de elaborar produtos, nos quais se expressa o amor e o carinho pelas videiras e a arte de elaborar vinhos com alegria e prazer.

A Vinícola Almaúnica elabora vinhos e espumantes com o máximo cuidado e dedicação, da videira à garrafa. Aliando tradição às técnicas mais modernas de elaboração para consumidores cada vez mais informados e exigentes. A Almaúnica foi planejada para produzir garrafas limitadas de cada vinho e assim se tornar um conceito na elaboração de vinhos finos e espumantes. No enoturismo, apresenta aos visitantes: modernidade nos processos e conhecimentos seculares de elaboração, de uma gente que nasceu pra isso.

https://www.almaunica.com.br

Cooperativa Aurora:

Com uma unidade nova no Vale dos Vinhedos, a premiada vinícola oferece diversos tipos de sucos e vinhos e fica aberta a visitas e agendamento prévio para grupos. A visitação acontece  em outro endereço fora do vale, na Rua Olavo Bilac, 500 – Cidade Alta. Mas vale ressaltar que consulte para agendamento, pois a qualquer momento a vinícola pode abrir esta unidade do vale para visitas.

A história da Aurora inicia em 1875, com a chegada de imigrantes oriundos do norte da Itália. Estabelecidos no Sul do Brasil, na Serra Gaúcha, onde encontraram paisagens e clima similares aos de seu país de origem. Assim, os hábitos e a cultura europeia não foram abandonados e a antiga arte da vitivinicultura logo foi retomada. Hoje com 90 anos, a cooperativa tem feito a alegria de milhares de pessoas.

http://www.vinicolaaurora.com.br/br

Cave do Sol:

Uma bela e moderna vinícola, bem no coração do vale. O vinho está no DNA da família  Passarim e o sol veio para impulsionar mais esta paixão. E por trás de tudo isso, muito trabalho e muita história de amor e belos vinhos.

É um ótimo lugar para passar horas agradáveis no jardim. Instalações feitas com peças da antiga vinícola reverenciam a história da família e da vitivinicultura brasileira, compondo um museu com passeio interno e a céu aberto.

https://cavedosol.com.br

Don Laurindo:

A história da Don Laurindo leva em sua essência todo o conhecimento, tradição e arte transmitidas de pais para filhos. Vinhos que demonstram todo o trabalho e dedicação de gerações, que sempre acreditaram no potencial e expressividade do Vale dos Vinhedos.

A história da família, em Bento Gonçalves, começou em 1887, quando os avós de Laurindo chegaram de Verona, na Itália, e começaram a cultivar uvas. Inicialmente, a família apenas cultivava as uvas para revender e produzia vinhos que eram consumidos por eles mesmos. Foi apenas em 1991 que Laurindo resolveu produzir vinhos de qualidade com a ajuda de seus filhos. Ele, por sinal, hoje com 90 anos, ainda cuida das videiras.

Ademir, outro filho do Sr. Laurindo, é o enólogo da vinícola. Ele, inclusive, quando começou a estudar Enologia, fez seu estágio na Vinícola Botticelli, em Petrolina. Conversamos bastante e ele contou um pouco da história da Don Laurindo.

A propriedade foi uma das primeiras no Brasil a plantar videiras da variedade Tannat, já em 1991, quando começaram a substituir as viti-lambruscas pelas viti-viníferas.

https://www.donlaurindo.com.br

Miolo:

Uma grade Vinícola, que tem sido referência em vários aspectos da vitivinicultura.

Caminhar entre os vinhedos, conhecer o processo de elaboração dos vinhos e espumantes, aprender sobre degustação e descobrir a história da Miolo são apenas algumas das experiências incríveis, oferecidas no complexo enoturístico.

O Wine Garden da Miolo, tem encantado cada vez mais o consumidor ávido por novas experiências.

Com um portfólio dos mais diversos vinhos, para os mais variados paladares, a Miolo expande cada vez mais e oferece oportunidades para todos os públicos.

https://www.miolo.com.br/enoturismo/

Valonttano:

Uma forma única de fazer um vinho. O enólogo e vinhateiro Luiz Henrique Zanini descreve assim, e eu concordo.

“Vinho é arte, é poesia, é expressão da personalidade. Para ser um vinhateiro é preciso sensibilidade, é preciso humanidade. De nada adianta mestrados e doutorados, se perdermos nossa identidade. É preciso contato físico com os vinhedos, com a uva, é preciso literalmente colocar as mãos no vinho. Devemos, sobretudo, diferenciar técnica de tecnologia. A primeira é o entendimento do processo como um meio de transformação da natureza, já a tecnologia pode ser comprada e aplicada. O meu medo é que o excesso disto padronize os vinhos do mundo inteiro. Para mim, o vinho continua sendo como entendia Galileu Galilei: “humor líquido e luz”!

Não é possível visitar a vinícola, mas na loja anexa você pode e deve degustar os vinhos, espumantes na Valottano Risoteria e Café.

https://www.valottano.com.br

Para visitar todas essas vinícolas, programe vários dias para que consiga degustar todos os rótulos possíveis.

O vale, que fica localizado em Bento Gonçalves, é apenas uma parte do que a cidade oferece quando se fala em vinhos, pois tem outras vinícolas importantes em diferentes regiões da cidade, como por exemplo a Cave Geisse.

Super indico uma temporada por lá.

Foto: Divulgação