/Gramado, 100 anos antes e depois versou sobre planejamento

Gramado, 100 anos antes e depois versou sobre planejamento

Gramado completa no dia 15 de dezembro 59 anos, de emancipação política e no dia 17 de janeiro deste ano completou 100 anos de batismo  da cidade. Baseado nestas datas e vendo a necessidade de conversar sobre Gramado o professor Ernesto Romeu Rieguel tomou a iniciativa de realizar este fórum de debates e contou com a realização da Visão Agência de Desenvolvimento  e Secretária de Cultura com o apoio da Câmara de Vereadores. Esta foi a 5ª edição deste evento que tem muito a contribuir com o futuro da cidade. 

Ontem os painelistas foram: 

  • O empresário Caio Tomazeli, que atuou em diversas entidades da cidade, atualmente diretor da Liga Turismo
  • O ex-prefeito  Pedro Bertolucci, que foi 8 anos vereador e 16 anos prefeito de Gramado, além de ocupar lugar de destaque em seu partido PP, quando foi presidente, mais a sua grande especialidade mesmo é Gramado, pois quando o assunto é esta cidade ele é um mestre, pois foi um dos grandes responsáveis pelo conjunto das principais obras que o município possui atualmente, ideias adotadas a muitos anos atrás, hoje nos deixa na vanguarda em relação a muitas cidades deste porte,  pois o seu olhar é focado no futuro, um empreendedor nato. Para ele a sua diplomação foi dada pela população.
  •  O engenheiro civil Alemir Coletto,  que ocupou diversas Secretarias no município de Gramado sendo que a última foi a secretária de turismo. Anel Viário, Festival de Gastronomia, foram alguns dos projetos que levaram a sua assinatura.
  • O professor Romeu Ernesto Riegel que substituiu Luiz Carlos Silveira, (Kurotel), que cancelou a participação ontem por conta de uma emergência.  Com vários livros publicados sobre Gramado o professor conhece muito a cidade e sua história e deixou a sua contribuição na noite de ontem quando plenário da Câmara de Vereadores contou com um bom publico.

Moratória hoteleira

O empresário Caio Tomazeli, disse: “a Moratória hoteleira decretada pela Prefeitura, deixou claro que o município não tem planejamento. Gramado foi construída a muitas mãos e acredito que nenhuma pessoa fica fora desta construção, só se constrói uma cidade com a participação de todos. É preciso avaliar os defeitos, mas a soma das virtudes são maiores.  O Planejamento nada mais é do que a capacidade de antever o futuro o que pode se fazer pela cidade. É preciso organizar um diálogo para um consenso do que ela quer”. Tomazeli diz ainda que é preciso dedicar tempo e capacidade ao planejamento, e repensar várias situações, desenvolver um planejamento sustentável da cidade e analisar o custo de vida de Gramado que está muito alto. Segundo ele precisa-se ver também esta aceleração da cidade. E para chegarmos a um consenso é preciso conversar e dedicar mais tempo para ter um planejamento eficaz. 

 Nosso DNA é o turismo

Pedro Bertolucci relembrou os anos dourados da Ortopé, além das chegadas dos primeiros moradores que vinham de trem para cidade e acabavam se tornando veranistas ou moradores. Desde então, Gramado adquiriu identidade própria, cada administração que passou deixou sua contribuição e todos deixaram um legado importante. “Nas minhas gestões trabalhamos com três pilares, o primeiro deles foi a promoção. De que forma chegamos até aqui? O que aconteceu? Para alguns o trabalho passa despercebido, mas foi um trabalho de formiguinha, visitando a imprensa buscando os jornalistas para cá e assim, fomos vendendo a nossa marca, através das nossas belezas naturais e aos poucos viramos uma grife. Móveis, chocolate, malhas e o galeto transformaram-se em sinônimos de Gramado. E na questão da promoção temos também os grandes eventos da cidade”. Bertolucci destacou a importante participação de Luciano Peccin, a internacionalização do Festival de Turismo e a importância do Festival Mundial de Publicidade que tem edições em outros países. São oportunidades únicas que beneficiam muito Gramado.  Já o segundo pilar é o empreendedorismo. Gastronomia + hotelaria + compras. É por aqui que passa o desenvolvimento turístico da cidade e de forma grandiosa a cidade soube sentir o cheiro deste desenvolvimento. A prefeitura é um indutor. Nestes aspectos temos muitos cases de sucesso, começamos em Gramado atraindo pessoas para tratamentos de saúde, através do ar puro, depois veio o banho de lodo e hoje temos o Kurotel que é o melhor SPA do Brasil. O terceiro pilar é o da infra-estrutura urbana, e aqui Bertolucci destacou a transformação da Borges, que para ele, foi uma das obras que mais o gratificou. Ao término ele deixou como contribuição o Plano Gramado mais 50 anos discutido em 2004 e que agora precisa ser aprimorado. Mas, está neste plano tudo o que já vinha sendo pensando desde lá.

Sugestão para Plano Diretor Viário

Alemir Colleto aproveitou a oportunidade para propor. E levou para a plateia oito sugestões para ser implantadas a longo e médio prazo. Para ele é urgente olhar para o futuro sempre atento para questões como sustentabilidade, economia, mobilidade urbana, transporte eficiente, ciclovias. “Atualmente se ouve muito falar de mobilidade urbana, mas é exatamente agora que os municípios estão conseguindo verbas para estas questões”. Sobre o crescimento de Gramado ele acredita que as limitações existem porque a topografia urbana não permite ir além. Nas suas proposições ele pensou Gramado até 2040, e os projetos apresentados foram relativos aos eixos viários mais importantes. Coletto aponta que baseado nos dados do IBGE, é possível que até 2040 possamos chegar a 60 mil pessoas. O projeto foi entregue à Visão Agência de Desenvolvimento.

“Estarei vivo para o terceiro apogeu de Gramado”

 “Gramado foi o primeiro centro turístico do Rio Grande do Sul. Já no período de 1940 a 1945 Gramado era uma cidade falida”, disse o professor e cronista histórico, Romeu Ernesto Riegel que teceu várias críticas à poluição visual da cidade, à “venda” da Rua Coberta e da Praça das Comunicações, e ao descuido com a aparência da cidade. Ele alertou, sobre a favelização da cidade.  Hoje existem 16 favelas no interior da cidade e deste modo onde vamos parar? Segundo ele ainda há tempo para salvar a cidade e mudar a forma deste crescimento desenfreado.  Estamos vivendo muito no improviso. Se propôs a auxiliar a Prefeitura desde que não seja remunerado.  E no final disse que não vai morrer sem ver o terceiro apogeu de Gramado.

Público compareceu em peso para acompanhar a 5ª edição do “Gramado cem anos: antes e depois”.

Fotos: Carla Wendt

 

A repercussão do evento pelo facebook 

Marilia Daros: “Voltando do encontro GRAMADO MAIS 50 ANOS na Câmara de Vereadores, meio indignada. Meio. Se tudo o que se tem falado é de diálogo, cortar o diálogo com a plateia é meio chato. Uns ouvem, outros falam e ninguém pode opinar, discutir, barganhar, discordar, concordar. Inda mais quando se é citado como exemplo de forma errada e nada poder dizer? É bom saber ouvir, mas é bom saber falar. 

Não pude fazer minha manifestação em maio por motivo que Gramado entendeu. E eram apenas 10 minutos de fala. Inda bem que não falei na época. Agora passou para 30 ou mais minutos. Um belo ganho de tempo para quem fala, mas para que vai para perguntar, não. E eu sei que tinha gente com pergunta pronta na plateia.

Sandra querida, parabéns pelo evento, mas certamente, ele saiu do formato e isto prejudica muito. Como Gramado, precisamos reformatar.

Também gostaria de dizer aqui que além de Historiadora (vivo da leitura de documentos históricos no café da manhã, no almoço, no lanche da tarde, no jantar e até na boquinha antes de dormir) eu sou também Cronista urbana fazem mais de 30 anos, publicadas nos jornais regionais e armazenadas todas. Quem estava em Gramado nestes anos, sabe bem disto. E também que ser uma investigadora histórica não me faz só olhar para trás, olho muito mais para o futuro pois vejo que nos planejamentos, a EDUCAÇÃO PATRIMONIAL ainda não foi anexada. Lamentável. Para finalizar, a pergunta que não pude fazer: JÁ PENSARAM EM DESCENTRALIZAR O PODER E FAZER A DIVISÃO DISTRITAL DE GRAMADO? COM CASAS DO POVO EM CADA DISTRITO E GENTE TRABALHANDO POR SEUS ESPAÇOS DE VIDA? QUAL É O RECEIO DE SE FAZER ISTO?”

 Yamil Dutra:  Entendo bem a Marília! Voltei para casa sufocado com uma pergunta que não pude fazer!!  De qualquer modo aproveitei as posições corretas do Caio e a forma audaciosa de querer reformas do Prof. Riegel. Quanto àquele traçado rodoviário do engenheiro Colleto, fiquei em dúvida sobre vários aspectos: custo, base teórica e factual, centralizaçãoe intensificação do fluxo para a parte central onde todas as vias terminam encontrando-se, falta de um plano de controle de tráfego, etc. Entretanto, valeu a noitada, pois pensar em Gramado é sempre uma coisa boa!”

Fotos: Divulgação / Facebook.