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Impactos e tendências da tecnologia no radiodiagnóstico

Quando falamos em desenvolvimento e uso de novas tecnologias em saúde, não podemos apenas imaginar que isso ocorra de forma a garantir única e exclusivamente que as pessoas tenham acesso a tratamentos diferenciados. O termo saúde deve englobar um conjunto de ações que servem para promovê-la de forma integrativa, levando em conta o indivíduo no que tange seus aspectos físicos e psíquicos.

Em relação a aspectos de promoção de saúde, os centros de diagnósticos por imagem englobam inúmeras ferramentas que promovem este cuidado. Podemos trabalhar desde a prevenção das patologias até seus diagnósticos, tornando-se uma peça indispensável para elucidação de inúmeras patologias e ofertando também algumas linhas de tratamento.

Dessa forma, a tecnologia dentro do radiodiagnóstico promove a saúde encurtando as distâncias e tempos, sendo cada vez mais resolutiva e apoiada em pilares que fortalecem esse movimento.

Um destes pilares é o desenvolvimento de equipamentos de alta complexidade, destacando-se principalmente as grandes tecnologias envolvidas nos equipamentos de tomografia computadorizada. Essa tecnologia permite aquisições de imagens com espessuras de corte submilimétricos e reformatações multiplanares, bem como tridimensionais, agregando inúmeras possibilidades de avaliações. Já o advento dos softwares de reconstruções interativas permitem redução de doses de radiação, em alguns casos de até 80%, um marco importantíssimo principalmente para pacientes que necessitam de avaliações periódicas.

Outro destaque cabe aos equipamentos de ressonância nuclear magnética de alto campo (com potência igual ou maior a 1,5T). Esta tecnologia permite execução de exames com qualidade superior tanto anatômica como funcional, possibilitando diagnósticos de maior precisão, facilitando detecção precoce de patologias potencialmente deletérias à saúde dos pacientes e permitindo aos médicos assistentes melhor planejamento de procedimentos invasivos, com potencial redução de morbidade. Sociedades que são referência na prática, como o Colégio Americano de Radiologia, têm sistematicamente recomendado a execução de exames em equipamentos de alto campo. Outro grande avanço nesse pilar foi a fusão de métodos que permitem elucidações mais pontuais, como ocorre tanto na tomografia quanto na ressonância por emissão de pósitron (PET-CT, PET-RM), técnicas que se baseiam no uso de radionuclídeos muito comuns nos estudos de medicina nuclear e revelam principalmente alterações provenientes de metabolismo celular, relevantes para estudos cardiológicos, neurológicos e oncológicos.

A digitalização de laudos e imagens possibilitou o armazenamento em nuvem promovendo segurança, simplicidade e agilidade para a prática médica. A possibilidade de acesso remoto, a imagens e laudos permite o compartilhamento entre especialidades que servem tanto para elaboração desses resultados como para acesso a esses diagnósticos, aumentando a possibilidade de multidisciplinaridade nos estudos de cada paciente. Da mesma forma, a possibilidade de integração de softwares e aplicativos permitem, por exemplo, planejamentos complexos de tratamentos ou cirurgias utilizando-se das aquisições radiográficas obtidas do paciente.

Já são de praxe o uso em radiologia médica de sistemas como o Picture Archiving and Communication System (PACS) e o Radiology Information System (RIS), porém, de forma isolada. No entanto, as mais recentes tendências em radiologia revelam a necessidade da Integração de Sistemas, com o objetivo de simplificar as tarefas e conferir mais agilidade aos processos, reunindo os dados de leitura do RIS com as informações de imagem do PACS. Dessa forma, os serviços de radiologia poderão estabelecer protocolos padronizados para emitir laudos com maior segurança e rapidez, aproveitando o acesso a todas as informações necessárias sobre cada paciente em uma mesma plataforma.

Com o aprimoramento das ferramentas, os especialistas acreditam que será possível alcançar resultados ainda melhores no diagnóstico e acompanhamento das enfermidades, especialmente graças ao desenvolvimento da inteligência artificial, tendência essa prevista para o futuro da radiologia médica, gerando expectativas justamente por ser uma tecnologia de altíssima complexidade.

No radiodiagnóstico projeta-se que os equipamentos baseados em machine learning (termo em inglês para a inteligência artificial) sejam capazes de reduzir o tempo de leitura dos dados de imagem gerados, aumentando a precisão dos exames e a eficácia dos diagnósticos.

Portanto, não há radiologia sem tecnologia. A necessidade de permanentes adaptações e transformações surge diariamente para esta área e para estes profissionais extremamente importantes, a fim de estarem preparados para tamanhas metamorfoses que o futuro próximo ainda reserva.

Monalisa Reck Tegner Benetti
Graduada em tecnologia em radiologia
MBA de Gestão em Saúde
Especialista em Ciências Radiológicas e Imaginologia
Gestora Operacional das clínicas Intelimagem

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