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Vinhos produzidos em Taquara circulam por restaurantes referência (alguns Michelin) no Brasil

Projeto é capitaneado por médico cardiologista que acaba de inaugurar espaço no quintal de casa e prevê engarrafar 4 mil unidades em 2022 

Vinhos da Rua do Urtigão são rótulos de vinhos de mínima intervenção que impressionam muito. Quem o vinifica é o Rubem Kunz, um médico cardiologista apaixonado por vinhos que acaba de lançar sua própria vinícola. O mais inusitado de tudo isso é que ela fica no quintal da casa dele.  

Localizado em Taquara (RS), o espaço produz vinhos raros e instigantes. Seu método é o natural, prática ancestral pela qual a fermentação ocorre por leveduras nativas presentes no parreiral. Nenhum insumo enológico e aditivo químico é usado na vinificação.  Dose mínimas de sulfitos são admitidas quando necessário. 

Justamente por isso, algumas de suas criações ganharam fama e notoriedade nas cartas de vinho de reconhecidos restaurantes Michelin do Brasil, em especial o “Manu”, comandado pela chef Manu Buffara, em Curitiba, e o “Oteque”, do chef Alberto Landgraf, no Rio de Janeiro. Ainda na cidade maravilhosa, no morro Santa Tereza, outra grande oportunidade para mostrar o primoroso trabalho, o Aprazível, de Pedro Hermeto.  

O trabalho de grandes sommeliers nacionais, como Leidson Alves, Leonardo Silveira, Laís Aoki, Juli Rodrigues e Michelle Landgraf também ajudaram a alavancar o consumo dos rótulos, que foram parar na edição de outono da revista Gula. De 21 vinhos brasileiros selecionados na sua faixa de preço, 06 são Vinhos da Rua do Urtigão.  

Mas não pense que os gaúchos ficaram de fora: é possível degustar rótulos no Parador Hampel, do chef Marcos Livi, em São Francisco de Paula, e no Restaurante “Oh, Suzana”, da chef Suzana Neves, em Taquara. 

A produção é artesanal, com acompanhamento da maturação das uvas de viticultores parceiros de Piratini, Pinheiro Machado, Encruzilhada do Sul, Monte Belo do Sul e Vacaria. Um luxo nos quesitos conceito e técnica, que se traduz em muito sabor e, pasme, bons preços. A produção dos Vinhos da Rua do Urtigão passa longe de ser pretensiosa, mas é autoral, procurando trazer de cada local suas características de solo e clima. 

Por que do nome? 

Vinhos da Rua do Urtigão recebe este nome por causa do amigo – também médico cardiologista – que lhe cedeu a desengaçadeira e o espaço para as primeiras barricas na propriedade Guntherland, que fica na Rua do Urtigão, em Araricá, região metropolitana de Porto Alegre. Lá fez, em 2015, sua primeira colheita e fermentação. Vinificou em branco as uvas Bordô da Guntherland, de um modo convencional. Usou leveduras selecionadas, chaptalizou e sulfitou como manda o manual e gostou do resultado. No segundo ano fez rosados de Cabernet Sauvignon e Merlot, uma parte com maceração carbônica.  Mas os vinhos não alcançaram sua expectativa. 

Em 2016 foi atrás de conhecimento. Algumas conversas com o reconhecido produtor de vinho gaúcho Eduardo Zenker e, logo depois, com Lizete Vicari, mudaram sua cabeça. A partir da safra de 2017 passou a vinificar com leveduras nativas e diminuiu muito a dose metabissulfito. Rubem desde a safra de 2019 está vinificando em Taquara, onde reside e acaba de inaugurar sua vinícola.  Sua produção vem crescendo a cada safra. A meta para 2022 é produzir 3.100 litros.